Hoje, 22 de maio de 2026, assinalam-se 80 anos desde o
primeiro voo do De Havilland DHC-1 Chipmunk, um marco na história da aviação.
Esta aeronave de treino bilugar, concebida para substituir o Tiger Moth,
descolou pela primeira vez em 22 de maio de 1946 em Toronto, Canadá, projetada
pelo engenheiro polaco Wsiewolod Jakimiuk. Com mais de 1.200 unidades
produzidas, o Chipmunk tornou-se um dos aviões de instrução mais emblemáticos
do pós-guerra, adotado por diversas forças aéreas, incluindo a portuguesa.
O Chipmunk em Portugal
O Chipmunk chegou a Portugal em 1951, inicialmente ao serviço da Aeronáutica
Militar. Com a criação da Força Aérea Portuguesa (FAP) em 1952, a aeronave foi
integrada na nova estrutura, recebendo as matrículas 1301 a 1310. Nesse mesmo
ano, as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) iniciaram a produção sob
licença de 66 unidades adicionais, numeradas de 1311 a 1376.
Ao longo de décadas, o Chipmunk desempenhou um papel crucial
na formação de pilotos militares portugueses, operando em diversas bases como
S. Jacinto (BA5/BA7), Ota (BA2) e Sintra (BA1). Em 1976, a Esquadra 21 foi
redesignada como Esquadra 101 "Roncos", mantendo o Chipmunk como
principal aeronave de instrução até à sua substituição pelo Aerospatiale
Epsilon em 1989.
Após a sua retirada do serviço ativo, sete unidades foram
modificadas para o modelo Chipmunk MK20, com motores Lycoming de 180 HP, e
atribuídas à Academia da Força Aérea (AFA) para reboque de planadores e
formação básica de cadetes. Estas aeronaves continuam a ser utilizadas pela
Esquadra 802, proporcionando aos alunos experiências de voo fundamentais
durante o curso de Piloto-Aviador.
Preservação e Operação Civil
Vários Chipmunks foram preservados e continuam a voar em mãos privadas. O Museu
Aero-Fénix, por exemplo, mantém um exemplar em condições de voo, participando
regularmente em eventos aeronáuticos e mantendo viva a memória desta icónica
aeronave.
Destaca-se também o comandante José Costa, proprietário de
um Chipmunk com a matrícula D-EECC, que opera na Alemanha. Este avião, pintado
com as cores da FAP, é frequentemente visto em demonstrações aéreas,
simbolizando a paixão e o empenho na preservação do património aeronáutico
português.
O Museu do Ar, localizado na Base Aérea n.º 1 em Sintra,
possui dois Chipmunks em exposição, representando o legado desta aeronave na
formação de mais de dois mil pilotos ao longo de mais de seis décadas.
Recentemente, um destes exemplares foi restaurado com o apoio de voluntários da
Associação de Especialistas da Força Aérea, demonstrando o contínuo esforço na
conservação da história da aviação nacional.
Conclusão
O De Havilland Chipmunk celebra hoje 80 anos de história, sendo uma peça
fundamental na formação de pilotos e na evolução da aviação em Portugal. A sua
presença contínua em instituições como a AFA e em mãos privadas assegura que o
legado desta aeronave perdure, inspirando futuras gerações de aviadores e
entusiastas da aviação. Fiquem bem, Jorge Ruivo





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