Destacamento da Força Aérea Portuguesa encerrou quatro meses de operações na primeira linha da defesa do flanco oriental da Aliança Atlântica
Sob um céu marcado pela presença dos Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon da Força Aérea Portuguesa, a Base Aérea de Ämari, na Estónia, recebeu, a 31 de julho, a cerimónia que assinalou o encerramento da participação nacional na missão NATO Enhanced Air Policing 2026 (eAP26). O momento marcou igualmente a passagem de responsabilidades para a Força Aérea Turca, encerrando mais um destacamento português na defesa do espaço aéreo dos Países Bálticos.
Presente na cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, manifestou orgulho e reconhecimento pela forma exemplar como a missão, de quatro meses, foi cumprida, enaltecendo o profissionalismo, a dedicação e a elevada prontidão demonstrados pelos militares portugueses ao longo do destacamento.
Nuno Melo esteve acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio Pereira, pelo Embaixador de Portugal na Estónia, José Pereira, e por diversas autoridades civis e militares portuguesas e estónias. Na sua intervenção, o Ministro sublinhou que os militares portugueses estiveram "na primeira linha da defesa" da NATO, num momento em que o ambiente de segurança europeu continua profundamente condicionado pela guerra na Ucrânia e pela crescente atividade militar russa na região do Mar Báltico.
O destacamento da Força Aérea Portuguesa foi constituído por quatro Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon e cerca de 95 militares, que, entre 1 de abril e 31 de julho de 2026, asseguraram a missão de Quick Reaction Alert (QRA) a partir da Base Aérea de Ämari. A operação garantiu a vigilância e defesa do espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia, países que não dispõem de meios de caça próprios para assegurar permanentemente esta capacidade.
Ao longo dos quatro meses de destacamento, os F-16 portugueses acumularam mais de 480 horas de voo e responderam a diversas ativações reais de Alpha Scramble, efetuando a identificação e acompanhamento de mais de 25 aeronaves militares russas que operavam sobre águas internacionais do Mar Báltico, nas proximidades do espaço aéreo aliado.
Entre as aeronaves intercetadas encontravam-se caças Sukhoi Su-24 Fencer, Su-27 Flanker e Su-30SM Flanker-H, bem como aviões de transporte Ilyushin Il-76 Candid, Antonov An-72 Coaler e aeronaves de inteligência eletrónica Ilyushin Il-20 Coot. Em praticamente todas estas missões, os aviões russos voavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis competentes e sem estabelecer comunicações por rádio, circunstâncias que justificaram a intervenção dos caças da NATO para proceder à sua identificação visual e acompanhamento.
A missão Enhanced Air Policing integra as medidas de reforço da postura de dissuasão e defesa da NATO implementadas desde 2014, na sequência da anexação ilegal da Crimeia pela Federação Russa. Desde então, destacamentos rotativos de vários países aliados asseguram, de forma ininterrupta, a proteção do espaço aéreo dos Estados Bálticos, reforçando a credibilidade da defesa coletiva prevista no Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte.
Esta foi a nona participação portuguesa na missão de policiamento aéreo dos Países Bálticos e a segunda realizada a partir da Base Aérea de Ämari, confirmando o compromisso continuado de Portugal com a segurança do flanco oriental da Aliança. Ao longo dos últimos anos, a Força Aérea Portuguesa tem demonstrado uma elevada capacidade de projeção de forças, interoperabilidade e resposta operacional, consolidando o seu papel entre as forças aéreas aliadas.
Com o regresso do destacamento a Portugal, termina mais uma missão exigente, mas também mais uma demonstração da capacidade da Força Aérea Portuguesa para operar longe do território nacional, mantendo elevados padrões de prontidão e eficácia. Numa Europa marcada por um contexto de segurança cada vez mais desafiante, a presença portuguesa em Ämari constituiu um contributo relevante para a estabilidade regional e para a credibilidade da postura de dissuasão da NATO.
Fotos: CEMGFA e FAP






























