sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Rinocerontes em destaque no Falcon Leap 2026

A Base Aérea de Eindhoven, nos Países Baixos, é entre 7 e 19 de setembro o centro de uma importante atividade internacional de treino de operações aerotransportadas. O exercício Falcon Leap 2026 reúne forças de 11 países aliados e tem como principal objetivo desenvolver a capacidade de realizar operações de transporte aéreo tático, incluindo o lançamento de cargas e o emprego de forças paraquedistas. Entre os participantes encontra-se a Força Aérea Portuguesa, representada pela Esquadra 506 Rinocerontes, que participa com um KC-390.

Para os Rinocerontes, o Falcon Leap constitui mais uma oportunidade para consolidar a experiência operacional adquirida com o novo transporte aéreo da Força Aérea Portuguesa, operando num ambiente multinacional e em estreita coordenação com unidades de diferentes países. Ao longo do exercício são treinados procedimentos de transporte e lançamento aéreo, permitindo às tripulações aperfeiçoar as suas capacidades e, simultaneamente, reforçar a interoperabilidade com as restantes forças participantes.

A edição de 2026 apresenta, contudo, uma particularidade que coloca o KC-390 português no centro das atenções. Pela primeira vez, militares neerlandeses ligados ao programa de transição para o C-390M participam no Falcon Leap juntamente com a Força Aérea Portuguesa. A escolha não é casual: os Países Baixos selecionaram o C-390M para substituir a sua atual frota de C-130 Hercules, estando prevista a receção das primeiras aeronaves neerlandesas no final de 2027.

O exercício proporciona assim uma oportunidade única para o futuro operador neerlandês conhecer diretamente as capacidades da aeronave e acompanhar a sua utilização em operações aerotransportadas. O grupo de transição neerlandês trabalha lado a lado com os “Rinocerontes”, partilhando conhecimentos, procedimentos e experiências que serão importantes na preparação da futura frota de C-390M da Koninklijke Luchtmacht.

Esta cooperação assume particular importância numa altura em que vários países europeus estão a modernizar as suas capacidades de transporte aéreo militar. A utilização de um sistema de armas comum permite não só uma maior facilidade de cooperação operacional, mas também a partilha de conhecimentos, formação e procedimentos entre forças aéreas aliadas.

No Falcon Leap 2026 participam aeronaves de vários tipos e procedências, incluindo C-130 Hercules, A400M, C-295M e C-27J, proporcionando às unidades envolvidas a possibilidade de trabalhar com diferentes plataformas e sistemas. O KC-390 português integra-se neste cenário como uma das aeronaves de nova geração destinadas a assegurar as futuras necessidades de transporte aéreo tático e estratégico das forças armadas europeias.

Durante o exercício são realizadas missões de transporte e lançamento de carga, assim como lançamentos de paraquedistas, numa combinação de treino que exige uma elevada coordenação entre as tripulações das aeronaves e as forças terrestres. As missões permitem igualmente praticar procedimentos de voo a baixa altitude e outras técnicas associadas às operações de transporte aéreo tático.

A atividade aérea decorre principalmente a partir de Eindhoven, sendo também utilizadas outras infraestruturas aeroportuárias e zonas de lançamento nos Países Baixos. O Falcon Leap mantém ainda uma forte ligação à história das operações aerotransportadas, uma vez que a atividade termina com a participação na cerimónia de homenagem à Operação Market Garden, realizada na região da Ginkelse Heide.

Para Portugal, a participação dos Rinocerontes representa mais um passo na afirmação internacional do KC-390. Depois da introdução da aeronave na Força Aérea Portuguesa, a participação em exercícios como o Falcon Leap permite acumular experiência em cenários multinacionais e demonstrar as capacidades do novo transporte aéreo português em algumas das missões mais exigentes para este tipo de aeronave.

Mas em Eindhoven existe também uma dimensão de futuro. Enquanto os Rinocerontes portugueses continuam a acumular experiência com o KC-390, os seus colegas neerlandeses estão a preparar a entrada em serviço do C-390, o avião que irá substituir os C-130 Hercules da Koninklijke Luchtmacht. A presença conjunta das duas forças aéreas no Falcon Leap 2026 representa, por isso, muito mais do que uma simples participação num exercício: constitui uma oportunidade privilegiada para a partilha de conhecimentos e para o início de uma nova etapa de cooperação entre dois futuros operadores europeus da família C-390.

Para a Esquadra 506, os Rinocerontes, o Falcon Leap 2026 constitui assim mais uma oportunidade para mostrar em ambiente operacional as capacidades do KC-390 português. Para os Países Baixos, é uma primeira aproximação prática ao avião que em breve substituirá os seus C-130 Hercules. E, para ambos, uma oportunidade de preparar o futuro do transporte aéreo militar europeu.

Fotos: Koninklijke Luchtmacht e FAP


















A Base Aérea de Eindhoven, nos Países Baixos, é entre 7 e 19 de setembro o centro de uma importante atividade internacional de treino de operações aerotransportadas. O exercício Falcon Leap 2026 reúne forças de 11 países aliados e tem como principal objetivo desenvolver a capacidade de realizar operações de transporte aéreo tático, incluindo o lançamento de cargas e o emprego de forças paraquedistas. Entre os participantes encontra-se a Força Aérea Portuguesa, representada pela Esquadra 506 Rinocerontes, que participa com um KC-390.

Para os Rinocerontes, o Falcon Leap constitui mais uma oportunidade para consolidar a experiência operacional adquirida com o novo transporte aéreo da Força Aérea Portuguesa, operando num ambiente multinacional e em estreita coordenação com unidades de diferentes países. Ao longo do exercício são treinados procedimentos de transporte e lançamento aéreo, permitindo às tripulações aperfeiçoar as suas capacidades e, simultaneamente, reforçar a interoperabilidade com as restantes forças participantes.

A edição de 2026 apresenta, contudo, uma particularidade que coloca o KC-390 português no centro das atenções. Pela primeira vez, militares neerlandeses ligados ao programa de transição para o C-390M participam no Falcon Leap juntamente com a Força Aérea Portuguesa. A escolha não é casual: os Países Baixos selecionaram o C-390M para substituir a sua atual frota de C-130 Hercules, estando prevista a receção das primeiras aeronaves neerlandesas no final de 2027.

O exercício proporciona assim uma oportunidade única para o futuro operador neerlandês conhecer diretamente as capacidades da aeronave e acompanhar a sua utilização em operações aerotransportadas. O grupo de transição neerlandês trabalha lado a lado com os “Rinocerontes”, partilhando conhecimentos, procedimentos e experiências que serão importantes na preparação da futura frota de C-390M da Koninklijke Luchtmacht.

Esta cooperação assume particular importância numa altura em que vários países europeus estão a modernizar as suas capacidades de transporte aéreo militar. A utilização de um sistema de armas comum permite não só uma maior facilidade de cooperação operacional, mas também a partilha de conhecimentos, formação e procedimentos entre forças aéreas aliadas.

No Falcon Leap 2026 participam aeronaves de vários tipos e procedências, incluindo C-130 Hercules, A400M, C-295M e C-27J, proporcionando às unidades envolvidas a possibilidade de trabalhar com diferentes plataformas e sistemas. O KC-390 português integra-se neste cenário como uma das aeronaves de nova geração destinadas a assegurar as futuras necessidades de transporte aéreo tático e estratégico das forças armadas europeias.

Durante o exercício são realizadas missões de transporte e lançamento de carga, assim como lançamentos de paraquedistas, numa combinação de treino que exige uma elevada coordenação entre as tripulações das aeronaves e as forças terrestres. As missões permitem igualmente praticar procedimentos de voo a baixa altitude e outras técnicas associadas às operações de transporte aéreo tático.

A atividade aérea decorre principalmente a partir de Eindhoven, sendo também utilizadas outras infraestruturas aeroportuárias e zonas de lançamento nos Países Baixos. O Falcon Leap mantém ainda uma forte ligação à história das operações aerotransportadas, uma vez que a atividade termina com a participação na cerimónia de homenagem à Operação Market Garden, realizada na região da Ginkelse Heide.

Para Portugal, a participação dos Rinocerontes representa mais um passo na afirmação internacional do KC-390. Depois da introdução da aeronave na Força Aérea Portuguesa, a participação em exercícios como o Falcon Leap permite acumular experiência em cenários multinacionais e demonstrar as capacidades do novo transporte aéreo português em algumas das missões mais exigentes para este tipo de aeronave.

Mas em Eindhoven existe também uma dimensão de futuro. Enquanto os Rinocerontes portugueses continuam a acumular experiência com o KC-390, os seus colegas neerlandeses estão a preparar a entrada em serviço do C-390, o avião que irá substituir os C-130 Hercules da Koninklijke Luchtmacht. A presença conjunta das duas forças aéreas no Falcon Leap 2026 representa, por isso, muito mais do que uma simples participação num exercício: constitui uma oportunidade privilegiada para a partilha de conhecimentos e para o início de uma nova etapa de cooperação entre dois futuros operadores europeus da família C-390.

Para a Esquadra 506, os Rinocerontes, o Falcon Leap 2026 constitui assim mais uma oportunidade para mostrar em ambiente operacional as capacidades do KC-390 português. Para os Países Baixos, é uma primeira aproximação prática ao avião que em breve substituirá os seus C-130 Hercules. E, para ambos, uma oportunidade de preparar o futuro do transporte aéreo militar europeu.

Fotos: Koninklijke Luchtmacht e FAP


















sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Panavia Tornado: 52 anos de uma referência da aviação militar europeia

 

Panavia Tornado assinala, em 14 de agosto de 2026, o 52.º aniversário do seu primeiro voo. O protótipo voou pela primeira vez em 14 de agosto de 1974, em Manching, na Alemanha, dando início à carreira de uma das mais importantes aeronaves de combate desenvolvidas na Europa.

Construído por um consórcio formado pelo Reino Unido, pela Alemanha Ocidental e pela Itália, o Tornado nasceu do programa Multi Role Combat Aircraft (MRCA). O objetivo era criar uma aeronave supersónica, capaz de executar missões de ataque e interdição a baixa altitude, em quaisquer condições meteorológicas. A Arábia Saudita tornou-se posteriormente o único cliente estrangeiro do programa.

A sua característica mais reconhecível é a asa de geometria variável, que permitia combinar boas qualidades de voo a baixa velocidade com elevado desempenho supersónico. Equipado com dois motores Turbo-Union RB199, o Tornado transportava normalmente dois tripulantes e podia utilizar bombas convencionais e guiadas, mísseis, equipamentos de reconhecimento e sistemas de guerra eletrónica.

Foram produzidas três versões principais. O Tornado IDS Interdiction Strike destinava-se sobretudo ao ataque ao solo, à interdição, ao reconhecimento e à luta antinavio. O Tornado ECR Electronic Combat and Reconnaissance foi especializado em guerra eletrónica, reconhecimento e supressão das defesas aéreas inimigas. Já o Tornado ADV Air Defence Variant foi desenvolvido para a defesa aérea britânica e equipado com radar e mísseis ar-ar de longo alcance.

Momentos históricos

O Tornado entrou ao serviço no final da década de 1970 e teve o seu primeiro grande teste operacional durante a Guerra do Golfo de 1991, participando em missões de ataque e reconhecimento. Tornados britânicos e italianos foram posteriormente utilizados na Bósnia, no Kosovo e na Guerra do Iraque. A aeronave participou ainda em operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, além de numerosos exercícios e missões da NATO.

Ao longo da sua carreira, o Tornado foi operado por quatro países: Alemanha, Itália, Reino Unido e Arábia Saudita. A Royal Air Force retirou os seus últimos Tornado GR.4 em 2019. Atualmente, o tipo continua em serviço na Alemanha, Itália e Arábia Saudita, embora as respetivas frotas estejam a ser progressivamente reduzidas.

Esquadras atuais

Na Alemanha, os Tornado são operados pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 33, em Büchel, responsável principalmente por missões IDS, e pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 51 “Immelmann”, em Jagel, que opera versões ECR e de reconhecimento. Estas são as duas principais unidades alemãs equipadas com o modelo.

Na Itália, os Tornado estão concentrados no 6.º Stormo “Alfredo Fusco”, em Ghedi. Desde julho de 2025, a 154.ª Gruppo “Diavoli Rossi” passou dos Tornado IDS para os F-35A. Alguns aparelhos e elementos da unidade foram integrados ou transferidos para a 155.ª Gruppo ETS “Pantere Nere”, mas os restantes IDS foram progressivamente retirados ou colocados em reserva. Assim, a 155.ª Gruppo continua a ser a principal unidade italiana de Tornado, operando sobretudo a versão ECR em missões de guerra eletrónica e supressão das defesas aéreas.

A Arábia Saudita continua a operar Tornado IDS através da sua força aérea, embora a distribuição atual das aeronaves por esquadra não seja divulgada de forma consistente em fontes abertas. A Alemanha e a Itália estão a substituir progressivamente os seus Tornado por Eurofighter Typhoon e F-35 Lightning II.

Um legado dourado

Com quase mil aeronaves produzidas, o Panavia Tornado constituiu um dos maiores programas de cooperação militar europeia. A sua asa de geometria variável, a capacidade de voo supersónico a baixa altitude e a versatilidade operacional fizeram dele uma aeronave marcante da Guerra Fria e dos conflitos posteriores.

Mais de cinco décadas depois do primeiro voo, o Tornado continua a ser um dos aviões de combate europeus mais reconhecidos, tanto pela sua importância histórica como pelo contributo que deu ao desenvolvimento da indústria aeronáutica do continente. Fiquem bem, Jorge Ruivo

















































 

Panavia Tornado assinala, em 14 de agosto de 2026, o 52.º aniversário do seu primeiro voo. O protótipo voou pela primeira vez em 14 de agosto de 1974, em Manching, na Alemanha, dando início à carreira de uma das mais importantes aeronaves de combate desenvolvidas na Europa.

Construído por um consórcio formado pelo Reino Unido, pela Alemanha Ocidental e pela Itália, o Tornado nasceu do programa Multi Role Combat Aircraft (MRCA). O objetivo era criar uma aeronave supersónica, capaz de executar missões de ataque e interdição a baixa altitude, em quaisquer condições meteorológicas. A Arábia Saudita tornou-se posteriormente o único cliente estrangeiro do programa.

A sua característica mais reconhecível é a asa de geometria variável, que permitia combinar boas qualidades de voo a baixa velocidade com elevado desempenho supersónico. Equipado com dois motores Turbo-Union RB199, o Tornado transportava normalmente dois tripulantes e podia utilizar bombas convencionais e guiadas, mísseis, equipamentos de reconhecimento e sistemas de guerra eletrónica.

Foram produzidas três versões principais. O Tornado IDS Interdiction Strike destinava-se sobretudo ao ataque ao solo, à interdição, ao reconhecimento e à luta antinavio. O Tornado ECR Electronic Combat and Reconnaissance foi especializado em guerra eletrónica, reconhecimento e supressão das defesas aéreas inimigas. Já o Tornado ADV Air Defence Variant foi desenvolvido para a defesa aérea britânica e equipado com radar e mísseis ar-ar de longo alcance.

Momentos históricos

O Tornado entrou ao serviço no final da década de 1970 e teve o seu primeiro grande teste operacional durante a Guerra do Golfo de 1991, participando em missões de ataque e reconhecimento. Tornados britânicos e italianos foram posteriormente utilizados na Bósnia, no Kosovo e na Guerra do Iraque. A aeronave participou ainda em operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, além de numerosos exercícios e missões da NATO.

Ao longo da sua carreira, o Tornado foi operado por quatro países: Alemanha, Itália, Reino Unido e Arábia Saudita. A Royal Air Force retirou os seus últimos Tornado GR.4 em 2019. Atualmente, o tipo continua em serviço na Alemanha, Itália e Arábia Saudita, embora as respetivas frotas estejam a ser progressivamente reduzidas.

Esquadras atuais

Na Alemanha, os Tornado são operados pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 33, em Büchel, responsável principalmente por missões IDS, e pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 51 “Immelmann”, em Jagel, que opera versões ECR e de reconhecimento. Estas são as duas principais unidades alemãs equipadas com o modelo.

Na Itália, os Tornado estão concentrados no 6.º Stormo “Alfredo Fusco”, em Ghedi. Desde julho de 2025, a 154.ª Gruppo “Diavoli Rossi” passou dos Tornado IDS para os F-35A. Alguns aparelhos e elementos da unidade foram integrados ou transferidos para a 155.ª Gruppo ETS “Pantere Nere”, mas os restantes IDS foram progressivamente retirados ou colocados em reserva. Assim, a 155.ª Gruppo continua a ser a principal unidade italiana de Tornado, operando sobretudo a versão ECR em missões de guerra eletrónica e supressão das defesas aéreas.

A Arábia Saudita continua a operar Tornado IDS através da sua força aérea, embora a distribuição atual das aeronaves por esquadra não seja divulgada de forma consistente em fontes abertas. A Alemanha e a Itália estão a substituir progressivamente os seus Tornado por Eurofighter Typhoon e F-35 Lightning II.

Um legado dourado

Com quase mil aeronaves produzidas, o Panavia Tornado constituiu um dos maiores programas de cooperação militar europeia. A sua asa de geometria variável, a capacidade de voo supersónico a baixa altitude e a versatilidade operacional fizeram dele uma aeronave marcante da Guerra Fria e dos conflitos posteriores.

Mais de cinco décadas depois do primeiro voo, o Tornado continua a ser um dos aviões de combate europeus mais reconhecidos, tanto pela sua importância histórica como pelo contributo que deu ao desenvolvimento da indústria aeronáutica do continente. Fiquem bem, Jorge Ruivo

















































sábado, 1 de agosto de 2026

F-16 portugueses encerram quatro meses de operações de alerta permanente no flanco oriental da NATO

Destacamento da Força Aérea Portuguesa encerrou quatro meses de operações na primeira linha da defesa do flanco oriental da Aliança Atlântica

Sob um céu marcado pela presença dos Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon da Força Aérea Portuguesa, a Base Aérea de Ämari, na Estónia, recebeu, a 31 de julho, a cerimónia que assinalou o encerramento da participação nacional na missão NATO Enhanced Air Policing 2026 (eAP26). O momento marcou igualmente a passagem de responsabilidades para a Força Aérea Turca, encerrando mais um destacamento português na defesa do espaço aéreo dos Países Bálticos.

Presente na cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, manifestou orgulho e reconhecimento pela forma exemplar como a missão, de quatro meses, foi cumprida, enaltecendo o profissionalismo, a dedicação e a elevada prontidão demonstrados pelos militares portugueses ao longo do destacamento.

Nuno Melo esteve acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio Pereira, pelo Embaixador de Portugal na Estónia, José Pereira, e por diversas autoridades civis e militares portuguesas e estónias. Na sua intervenção, o Ministro sublinhou que os militares portugueses estiveram "na primeira linha da defesa" da NATO, num momento em que o ambiente de segurança europeu continua profundamente condicionado pela guerra na Ucrânia e pela crescente atividade militar russa na região do Mar Báltico.

O destacamento da Força Aérea Portuguesa foi constituído por quatro Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon e cerca de 95 militares, que, entre 1 de abril e 31 de julho de 2026, asseguraram a missão de Quick Reaction Alert (QRA) a partir da Base Aérea de Ämari. A operação garantiu a vigilância e defesa do espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia, países que não dispõem de meios de caça próprios para assegurar permanentemente esta capacidade.

Ao longo dos quatro meses de destacamento, os F-16 portugueses acumularam mais de 480 horas de voo e responderam a diversas ativações reais de Alpha Scramble, efetuando a identificação e acompanhamento de mais de 25 aeronaves militares russas que operavam sobre águas internacionais do Mar Báltico, nas proximidades do espaço aéreo aliado.

Entre as aeronaves intercetadas encontravam-se caças Sukhoi Su-24 Fencer, Su-27 Flanker e Su-30SM Flanker-H, bem como aviões de transporte Ilyushin Il-76 Candid, Antonov An-72 Coaler e aeronaves de inteligência eletrónica Ilyushin Il-20 Coot. Em praticamente todas estas missões, os aviões russos voavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis competentes e sem estabelecer comunicações por rádio, circunstâncias que justificaram a intervenção dos caças da NATO para proceder à sua identificação visual e acompanhamento.

A missão Enhanced Air Policing integra as medidas de reforço da postura de dissuasão e defesa da NATO implementadas desde 2014, na sequência da anexação ilegal da Crimeia pela Federação Russa. Desde então, destacamentos rotativos de vários países aliados asseguram, de forma ininterrupta, a proteção do espaço aéreo dos Estados Bálticos, reforçando a credibilidade da defesa coletiva prevista no Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte.

Esta foi a nona participação portuguesa na missão de policiamento aéreo dos Países Bálticos e a segunda realizada a partir da Base Aérea de Ämari, confirmando o compromisso continuado de Portugal com a segurança do flanco oriental da Aliança. Ao longo dos últimos anos, a Força Aérea Portuguesa tem demonstrado uma elevada capacidade de projeção de forças, interoperabilidade e resposta operacional, consolidando o seu papel entre as forças aéreas aliadas.

Com o regresso do destacamento a Portugal, termina mais uma missão exigente, mas também mais uma demonstração da capacidade da Força Aérea Portuguesa para operar longe do território nacional, mantendo elevados padrões de prontidão e eficácia. Numa Europa marcada por um contexto de segurança cada vez mais desafiante, a presença portuguesa em Ämari constituiu um contributo relevante para a estabilidade regional e para a credibilidade da postura de dissuasão da NATO.

Fotos: CEMGFA e FAP





























Destacamento da Força Aérea Portuguesa encerrou quatro meses de operações na primeira linha da defesa do flanco oriental da Aliança Atlântica

Sob um céu marcado pela presença dos Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon da Força Aérea Portuguesa, a Base Aérea de Ämari, na Estónia, recebeu, a 31 de julho, a cerimónia que assinalou o encerramento da participação nacional na missão NATO Enhanced Air Policing 2026 (eAP26). O momento marcou igualmente a passagem de responsabilidades para a Força Aérea Turca, encerrando mais um destacamento português na defesa do espaço aéreo dos Países Bálticos.

Presente na cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, manifestou orgulho e reconhecimento pela forma exemplar como a missão, de quatro meses, foi cumprida, enaltecendo o profissionalismo, a dedicação e a elevada prontidão demonstrados pelos militares portugueses ao longo do destacamento.

Nuno Melo esteve acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio Pereira, pelo Embaixador de Portugal na Estónia, José Pereira, e por diversas autoridades civis e militares portuguesas e estónias. Na sua intervenção, o Ministro sublinhou que os militares portugueses estiveram "na primeira linha da defesa" da NATO, num momento em que o ambiente de segurança europeu continua profundamente condicionado pela guerra na Ucrânia e pela crescente atividade militar russa na região do Mar Báltico.

O destacamento da Força Aérea Portuguesa foi constituído por quatro Lockheed Martin F-16AM Fighting Falcon e cerca de 95 militares, que, entre 1 de abril e 31 de julho de 2026, asseguraram a missão de Quick Reaction Alert (QRA) a partir da Base Aérea de Ämari. A operação garantiu a vigilância e defesa do espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia, países que não dispõem de meios de caça próprios para assegurar permanentemente esta capacidade.

Ao longo dos quatro meses de destacamento, os F-16 portugueses acumularam mais de 480 horas de voo e responderam a diversas ativações reais de Alpha Scramble, efetuando a identificação e acompanhamento de mais de 25 aeronaves militares russas que operavam sobre águas internacionais do Mar Báltico, nas proximidades do espaço aéreo aliado.

Entre as aeronaves intercetadas encontravam-se caças Sukhoi Su-24 Fencer, Su-27 Flanker e Su-30SM Flanker-H, bem como aviões de transporte Ilyushin Il-76 Candid, Antonov An-72 Coaler e aeronaves de inteligência eletrónica Ilyushin Il-20 Coot. Em praticamente todas estas missões, os aviões russos voavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis competentes e sem estabelecer comunicações por rádio, circunstâncias que justificaram a intervenção dos caças da NATO para proceder à sua identificação visual e acompanhamento.

A missão Enhanced Air Policing integra as medidas de reforço da postura de dissuasão e defesa da NATO implementadas desde 2014, na sequência da anexação ilegal da Crimeia pela Federação Russa. Desde então, destacamentos rotativos de vários países aliados asseguram, de forma ininterrupta, a proteção do espaço aéreo dos Estados Bálticos, reforçando a credibilidade da defesa coletiva prevista no Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte.

Esta foi a nona participação portuguesa na missão de policiamento aéreo dos Países Bálticos e a segunda realizada a partir da Base Aérea de Ämari, confirmando o compromisso continuado de Portugal com a segurança do flanco oriental da Aliança. Ao longo dos últimos anos, a Força Aérea Portuguesa tem demonstrado uma elevada capacidade de projeção de forças, interoperabilidade e resposta operacional, consolidando o seu papel entre as forças aéreas aliadas.

Com o regresso do destacamento a Portugal, termina mais uma missão exigente, mas também mais uma demonstração da capacidade da Força Aérea Portuguesa para operar longe do território nacional, mantendo elevados padrões de prontidão e eficácia. Numa Europa marcada por um contexto de segurança cada vez mais desafiante, a presença portuguesa em Ämari constituiu um contributo relevante para a estabilidade regional e para a credibilidade da postura de dissuasão da NATO.

Fotos: CEMGFA e FAP





























sexta-feira, 31 de julho de 2026

F-86 Sabre - 46 anos depois do ultimo voo

 

No dia 31 de julho de 1980, a Força Aérea Portuguesa (FAP) realizou o último voo operacional do North American F‑86F Sabre, pondo fim a mais de duas décadas de serviço desta lendária aeronave de caça à defesa do espaço aéreo nacional.

As Esquadras “Sabre”: 

Ao longo da sua carreira na FAP, o F‑86F foi operado por duas esquadras: 

Esquadra 51 “Falcões”, criada em 1958, que viria a sofrer em 1978 uma reestruturação, passando a designar‑se Esquadra 201; 

Esquadra 52 “Galos”, ativada em 1959 e desativada já em 1961, sendo a única outra unidade a voar o Sabre em Portugal. 

Durante os 23 anos de operações (1957–1980), a frota de F‑86F acumulou cerca de 60.000 horas de voo, cumprindo missões de defesa aérea, patrulha, interdição e treino no teatro ultramarino. 

O Voo de Despedida 

Na tarde de 31 de julho, dois Sabres (matrículas 5347 e 5360) descolaram de Monte Real em voo de homenagem. Pilotados pelo Tenente‑Coronel Victor Silva e pelo Capitão Roda, sobrevoaram todas as unidades da FAP, saindo do ar às 16h10, após cerca de 1h25m de voo de despedida.

Monumento e Legado

Como testemunho da importância do Sabre para a FAP, ergueu‑se junto à antiga porta de armas da Base Aérea n.º 5 um monumento ao F‑86, onde hoje se presta homenagem aos pilotos, mecânicos e a todos que mantiveram viva a chama deste “Rei dos Céus” até ao seu derradeiro voo. 

O F‑86F Sabre encerrou o seu ciclo em Portugal como o último utilizador do Sabre na NATO, deixando um legado de profissionalismo, inovação e dedicação que ainda hoje inspira as gerações de aviadores da Força Aérea Portuguesa.

Foi um avião que ficou marcado para sempre na minha memória, lembro-me que foi nessa altura que iniciei o meu gosto pela aviação e também pela fotografia e as fotos a preto e branco foram as primeiras que  tirei, corria então o ano de 1979. Fiquem bem, Jorge Ruivo.


















 

No dia 31 de julho de 1980, a Força Aérea Portuguesa (FAP) realizou o último voo operacional do North American F‑86F Sabre, pondo fim a mais de duas décadas de serviço desta lendária aeronave de caça à defesa do espaço aéreo nacional.

As Esquadras “Sabre”: 

Ao longo da sua carreira na FAP, o F‑86F foi operado por duas esquadras: 

Esquadra 51 “Falcões”, criada em 1958, que viria a sofrer em 1978 uma reestruturação, passando a designar‑se Esquadra 201; 

Esquadra 52 “Galos”, ativada em 1959 e desativada já em 1961, sendo a única outra unidade a voar o Sabre em Portugal. 

Durante os 23 anos de operações (1957–1980), a frota de F‑86F acumulou cerca de 60.000 horas de voo, cumprindo missões de defesa aérea, patrulha, interdição e treino no teatro ultramarino. 

O Voo de Despedida 

Na tarde de 31 de julho, dois Sabres (matrículas 5347 e 5360) descolaram de Monte Real em voo de homenagem. Pilotados pelo Tenente‑Coronel Victor Silva e pelo Capitão Roda, sobrevoaram todas as unidades da FAP, saindo do ar às 16h10, após cerca de 1h25m de voo de despedida.

Monumento e Legado

Como testemunho da importância do Sabre para a FAP, ergueu‑se junto à antiga porta de armas da Base Aérea n.º 5 um monumento ao F‑86, onde hoje se presta homenagem aos pilotos, mecânicos e a todos que mantiveram viva a chama deste “Rei dos Céus” até ao seu derradeiro voo. 

O F‑86F Sabre encerrou o seu ciclo em Portugal como o último utilizador do Sabre na NATO, deixando um legado de profissionalismo, inovação e dedicação que ainda hoje inspira as gerações de aviadores da Força Aérea Portuguesa.

Foi um avião que ficou marcado para sempre na minha memória, lembro-me que foi nessa altura que iniciei o meu gosto pela aviação e também pela fotografia e as fotos a preto e branco foram as primeiras que  tirei, corria então o ano de 1979. Fiquem bem, Jorge Ruivo.


















segunda-feira, 20 de julho de 2026

Hawker Hunter: 75 anos de um dos mais elegantes caças a jato da história

 

A 20 de julho de 1951, o protótipo Hawker P.1067, que daria origem ao lendário Hawker Hunter, realizou o seu voo inaugural a partir da RAF Boscombe Down, tendo aos comandos o célebre piloto de testes Neville Duke. Setenta e cinco anos depois, o Hunter continua a ser recordado como um dos caças mais elegantes e bem-sucedidos da era dos primeiros jatos, permanecendo uma referência incontornável na história da aviação militar.

Desenvolvido pela britânica Hawker Aircraft para responder às exigências da Royal Air Force durante o início da Guerra Fria, o Hunter surgiu como sucessor dos primeiros caças a reação britânicos, combinando uma aerodinâmica refinada com excelentes prestações. Equipado com o motor Rolls-Royce Avon, destacou-se pela elevada velocidade, excelente manobrabilidade e robustez, características que rapidamente lhe garantiram uma reputação invejável entre os pilotos.

Ao longo da sua carreira foram construídos 1.972 exemplares, nas mais diversas versões, desde caças de superioridade aérea até variantes de treino e ataque ao solo. O Hunter foi exportado para dezenas de países, permanecendo em serviço durante várias décadas em forças aéreas da Europa, Médio Oriente, Ásia, África e América do Sul. Em alguns operadores, manteve-se ativo até ao século XXI, testemunhando a qualidade do seu projeto.

Além da sua longa carreira operacional, o Hawker Hunter tornou-se uma presença habitual em festivais aéreos graças ao seu desempenho elegante e ao inconfundível rugido do motor Avon. No entanto, a tragédia ocorrida durante o Shoreham Airshow, em 2015, alterou profundamente a forma como estas aeronaves históricas participam em demonstrações aéreas no Reino Unido. Desde então, os dois exemplares ainda aeronavegáveis naquele país deixaram de realizar exibições acrobáticas públicas, embora continuem a marcar presença em exposições estáticas e efetuem ocasionalmente voos de treino ou de baixa altitude.

Um desses exemplares continua a voar no Reino Unido sob a operação da Hawker Hunter Aviation. Trata-se do Hawker Hunter Mk.58, com a matrícula militar ZZ190 e o registo civil G-HHAD, facilmente reconhecido pelo seu distinto esquema de pintura "Dazzle", inspirado nos padrões de camuflagem disruptiva utilizados por navios durante a Primeira Guerra Mundial. A aeronave marcou presença na edição de 2024 do Royal International Air Tattoo (RIAT), em RAF Fairford, onde voltou a demonstrar toda a elegância das linhas do Hunter, constituindo uma das grandes atrações entre os clássicos históricos presentes no evento e recordando aos milhares de visitantes um dos mais emblemáticos caças britânicos do pós-guerra.

A cronologia do Hunter ajuda igualmente a compreender a rapidez da evolução tecnológica da época. O seu primeiro voo ocorreu apenas 15 anos após o voo inaugural do Supermarine Spitfire, em 1936, e apenas três anos antes da estreia do protótipo do English Electric Lightning, em 1954. Em menos de duas décadas, a aviação militar passou dos caças a pistão que dominaram a Segunda Guerra Mundial para aeronaves a jato capazes de ultrapassar a velocidade do som.

Setenta e cinco anos após levantar voo pela primeira vez, o Hawker Hunter continua a simbolizar uma época de extraordinária inovação tecnológica. A sua silhueta elegante, as linhas harmoniosas e o desempenho excecional garantem-lhe um lugar de destaque entre os mais icónicos aviões militares de sempre. Mesmo com apenas um pequeno número de exemplares ainda aeronavegáveis, o Hunter permanece vivo na memória de gerações de pilotos, mecânicos e apaixonados pela aviação, provando que algumas máquinas conseguem transcender o seu tempo e transformar-se em verdadeiras lendas.














 

A 20 de julho de 1951, o protótipo Hawker P.1067, que daria origem ao lendário Hawker Hunter, realizou o seu voo inaugural a partir da RAF Boscombe Down, tendo aos comandos o célebre piloto de testes Neville Duke. Setenta e cinco anos depois, o Hunter continua a ser recordado como um dos caças mais elegantes e bem-sucedidos da era dos primeiros jatos, permanecendo uma referência incontornável na história da aviação militar.

Desenvolvido pela britânica Hawker Aircraft para responder às exigências da Royal Air Force durante o início da Guerra Fria, o Hunter surgiu como sucessor dos primeiros caças a reação britânicos, combinando uma aerodinâmica refinada com excelentes prestações. Equipado com o motor Rolls-Royce Avon, destacou-se pela elevada velocidade, excelente manobrabilidade e robustez, características que rapidamente lhe garantiram uma reputação invejável entre os pilotos.

Ao longo da sua carreira foram construídos 1.972 exemplares, nas mais diversas versões, desde caças de superioridade aérea até variantes de treino e ataque ao solo. O Hunter foi exportado para dezenas de países, permanecendo em serviço durante várias décadas em forças aéreas da Europa, Médio Oriente, Ásia, África e América do Sul. Em alguns operadores, manteve-se ativo até ao século XXI, testemunhando a qualidade do seu projeto.

Além da sua longa carreira operacional, o Hawker Hunter tornou-se uma presença habitual em festivais aéreos graças ao seu desempenho elegante e ao inconfundível rugido do motor Avon. No entanto, a tragédia ocorrida durante o Shoreham Airshow, em 2015, alterou profundamente a forma como estas aeronaves históricas participam em demonstrações aéreas no Reino Unido. Desde então, os dois exemplares ainda aeronavegáveis naquele país deixaram de realizar exibições acrobáticas públicas, embora continuem a marcar presença em exposições estáticas e efetuem ocasionalmente voos de treino ou de baixa altitude.

Um desses exemplares continua a voar no Reino Unido sob a operação da Hawker Hunter Aviation. Trata-se do Hawker Hunter Mk.58, com a matrícula militar ZZ190 e o registo civil G-HHAD, facilmente reconhecido pelo seu distinto esquema de pintura "Dazzle", inspirado nos padrões de camuflagem disruptiva utilizados por navios durante a Primeira Guerra Mundial. A aeronave marcou presença na edição de 2024 do Royal International Air Tattoo (RIAT), em RAF Fairford, onde voltou a demonstrar toda a elegância das linhas do Hunter, constituindo uma das grandes atrações entre os clássicos históricos presentes no evento e recordando aos milhares de visitantes um dos mais emblemáticos caças britânicos do pós-guerra.

A cronologia do Hunter ajuda igualmente a compreender a rapidez da evolução tecnológica da época. O seu primeiro voo ocorreu apenas 15 anos após o voo inaugural do Supermarine Spitfire, em 1936, e apenas três anos antes da estreia do protótipo do English Electric Lightning, em 1954. Em menos de duas décadas, a aviação militar passou dos caças a pistão que dominaram a Segunda Guerra Mundial para aeronaves a jato capazes de ultrapassar a velocidade do som.

Setenta e cinco anos após levantar voo pela primeira vez, o Hawker Hunter continua a simbolizar uma época de extraordinária inovação tecnológica. A sua silhueta elegante, as linhas harmoniosas e o desempenho excecional garantem-lhe um lugar de destaque entre os mais icónicos aviões militares de sempre. Mesmo com apenas um pequeno número de exemplares ainda aeronavegáveis, o Hunter permanece vivo na memória de gerações de pilotos, mecânicos e apaixonados pela aviação, provando que algumas máquinas conseguem transcender o seu tempo e transformar-se em verdadeiras lendas.














quinta-feira, 16 de julho de 2026

EAP26: Reforço da interoperabilidade entre aliados fortalece prontidão da NATO nos Bálticos

A Base Aérea de Ämari, na Estónia, voltou a ser palco de um intenso programa de treino multinacional, onde militares da Força Aérea Portuguesa reforçaram a interoperabilidade com forças aliadas no âmbito da missão enhanced Air Policing 2026 (eAP26) da NATO.

Entre os dias 6 e 9 de julho, o destacamento português participou num conjunto de atividades operacionais destinadas a aumentar a capacidade de atuação conjunta entre países aliados, consolidando procedimentos, técnicas e doutrinas que poderão ser decisivos em cenários de crise ou conflito.

As ações envolveram militares portugueses, estónios e letões, incidindo em diferentes áreas da operação aérea e da proteção da força. O objetivo passou por aperfeiçoar a coordenação entre as diversas especialidades, promovendo uma resposta mais rápida e eficaz perante qualquer ameaça ao espaço aéreo da NATO.

Estas iniciativas inserem-se no conceito Agile Combat Employment (ACE), desenvolvido pela Aliança Atlântica para aumentar a flexibilidade das forças aéreas. O conceito prevê operações dispersas, rápidas e adaptáveis, permitindo que aeronaves e equipas operem a partir de diferentes bases, reduzindo vulnerabilidades e aumentando a capacidade de sobrevivência e resposta das forças destacadas.

Desde 1 de abril, Portugal mantém na Base Aérea de Ämari um destacamento composto por quatro caças F-16M Fighting Falcon e cerca de 90 militares, assegurando a missão de policiamento aéreo reforçado da NATO até ao final de julho. A missão garante a vigilância permanente do espaço aéreo dos Estados Bálticos e demonstra o compromisso português com a defesa coletiva da Aliança.

Ao longo da eAP26, os F-16M portugueses já foram acionados em diversas missões de Quick Reaction Alert (QRA) para identificar e acompanhar aeronaves militares russas que voavam próximo do espaço aéreo aliado, confirmando a importância da presença da Força Aérea Portuguesa na região.

Mais do que o treino operacional, estas atividades representam um investimento contínuo na confiança entre aliados. A interoperabilidade conquistada durante exercícios conjuntos traduz-se numa maior eficácia em operações reais, garantindo que militares de diferentes nacionalidades conseguem atuar como uma única força quando necessário.

A participação portuguesa na eAP26 continua, assim, a afirmar a Força Aérea como um parceiro credível da NATO, contribuindo para a estabilidade e segurança do flanco leste da Aliança, numa região que permanece estrategicamente sensível perante o atual contexto de segurança europeu. 

Fotos: FAP































A Base Aérea de Ämari, na Estónia, voltou a ser palco de um intenso programa de treino multinacional, onde militares da Força Aérea Portuguesa reforçaram a interoperabilidade com forças aliadas no âmbito da missão enhanced Air Policing 2026 (eAP26) da NATO.

Entre os dias 6 e 9 de julho, o destacamento português participou num conjunto de atividades operacionais destinadas a aumentar a capacidade de atuação conjunta entre países aliados, consolidando procedimentos, técnicas e doutrinas que poderão ser decisivos em cenários de crise ou conflito.

As ações envolveram militares portugueses, estónios e letões, incidindo em diferentes áreas da operação aérea e da proteção da força. O objetivo passou por aperfeiçoar a coordenação entre as diversas especialidades, promovendo uma resposta mais rápida e eficaz perante qualquer ameaça ao espaço aéreo da NATO.

Estas iniciativas inserem-se no conceito Agile Combat Employment (ACE), desenvolvido pela Aliança Atlântica para aumentar a flexibilidade das forças aéreas. O conceito prevê operações dispersas, rápidas e adaptáveis, permitindo que aeronaves e equipas operem a partir de diferentes bases, reduzindo vulnerabilidades e aumentando a capacidade de sobrevivência e resposta das forças destacadas.

Desde 1 de abril, Portugal mantém na Base Aérea de Ämari um destacamento composto por quatro caças F-16M Fighting Falcon e cerca de 90 militares, assegurando a missão de policiamento aéreo reforçado da NATO até ao final de julho. A missão garante a vigilância permanente do espaço aéreo dos Estados Bálticos e demonstra o compromisso português com a defesa coletiva da Aliança.

Ao longo da eAP26, os F-16M portugueses já foram acionados em diversas missões de Quick Reaction Alert (QRA) para identificar e acompanhar aeronaves militares russas que voavam próximo do espaço aéreo aliado, confirmando a importância da presença da Força Aérea Portuguesa na região.

Mais do que o treino operacional, estas atividades representam um investimento contínuo na confiança entre aliados. A interoperabilidade conquistada durante exercícios conjuntos traduz-se numa maior eficácia em operações reais, garantindo que militares de diferentes nacionalidades conseguem atuar como uma única força quando necessário.

A participação portuguesa na eAP26 continua, assim, a afirmar a Força Aérea como um parceiro credível da NATO, contribuindo para a estabilidade e segurança do flanco leste da Aliança, numa região que permanece estrategicamente sensível perante o atual contexto de segurança europeu. 

Fotos: FAP































sexta-feira, 10 de julho de 2026

A-7P Corsair II: O Último Voo, 27 anos depois

 

No dia 10 de julho de 1999, a Força Aérea Portuguesa (FAP) disse adeus ao LTV A-7P Corsair II, encerrando uma era que marcou profundamente a aviação de combate em Portugal. A despedida da aeronave decorreu na Base Aérea N.º 5, em Monte Real, com uma cerimónia carregada de simbolismo, nostalgia e orgulho. O Corsair, robusto, confiável e temido, completava o seu derradeiro voo, depois de quase duas décadas ao serviço da soberania nacional.

Adquirido no início da década de 1980, o A-7P foi uma versão adaptada do modelo A-7A norte-americano, atualizada especificamente para as necessidades da FAP. Ao todo, Portugal recebeu 50 aeronaves A-7P, além de 6 TA-7C de treino, posteriormente redesignadas como TA-7P.

O A-7P representou um verdadeiro salto tecnológico para a FAP. Com cockpit moderno para a época, Head-Up Display (HUD), sistemas de navegação inercial e capacidade de transportar uma ampla variedade de armamento ar-solo, o Corsair trouxe capacidades que até então eram inéditas na força aérea nacional.

Duas foram as esquadras que operaram o A-7P a partir da Base Aérea N.º 5 (BA5), em Monte Real:

 - Esquadra 302 "Falcões"

 - Esquadra 304 "Magníficos"



Ambas tiveram um papel essencial na operacionalidade do sistema de armas Corsair, assegurando o cumprimento de missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, interdição, e treino com armamento real em cenários nacionais e multinacionais.

 

64.000 Horas de Compromisso

Entre 1981 e 1999, a frota acumulou cerca de 64.000 horas de voo, um número impressionante que reflete o intenso ritmo operacional e o elevado grau de prontidão da aeronave e das suas equipas e foi pintado o A-7P 15521 com uma pintura alusivas às 64.000 horas. O Corsair participou em inúmeros exercícios nacionais e internacionais, desempenhando um papel vital na consolidação da doutrina de ataque da FAP e no treino de gerações de pilotos de combate.

Com a chegada dos primeiros F-16 Fighting Falcon à FAP, o fim do ciclo do Corsair tornava-se inevitável. Mais avançado, versátil e preparado para os desafios do século XXI, o F-16 assumiu o papel de principal vetor de combate da força aérea, substituindo o A-7P nas suas funções estratégicas e táticas.

No entanto, o legado do Corsair permanece vivo. Mais do que um simples avião, foi uma escola de voo, uma plataforma de treino, e um símbolo da transição da FAP para uma força moderna e profissional. Para os que o voaram, o mantiveram e o acompanharam, o A-7P foi – e sempre será – um ícone de determinação e missão cumprida. Fiquem bem, Jorge Ruivo



































 

No dia 10 de julho de 1999, a Força Aérea Portuguesa (FAP) disse adeus ao LTV A-7P Corsair II, encerrando uma era que marcou profundamente a aviação de combate em Portugal. A despedida da aeronave decorreu na Base Aérea N.º 5, em Monte Real, com uma cerimónia carregada de simbolismo, nostalgia e orgulho. O Corsair, robusto, confiável e temido, completava o seu derradeiro voo, depois de quase duas décadas ao serviço da soberania nacional.

Adquirido no início da década de 1980, o A-7P foi uma versão adaptada do modelo A-7A norte-americano, atualizada especificamente para as necessidades da FAP. Ao todo, Portugal recebeu 50 aeronaves A-7P, além de 6 TA-7C de treino, posteriormente redesignadas como TA-7P.

O A-7P representou um verdadeiro salto tecnológico para a FAP. Com cockpit moderno para a época, Head-Up Display (HUD), sistemas de navegação inercial e capacidade de transportar uma ampla variedade de armamento ar-solo, o Corsair trouxe capacidades que até então eram inéditas na força aérea nacional.

Duas foram as esquadras que operaram o A-7P a partir da Base Aérea N.º 5 (BA5), em Monte Real:

 - Esquadra 302 "Falcões"

 - Esquadra 304 "Magníficos"



Ambas tiveram um papel essencial na operacionalidade do sistema de armas Corsair, assegurando o cumprimento de missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, interdição, e treino com armamento real em cenários nacionais e multinacionais.

 

64.000 Horas de Compromisso

Entre 1981 e 1999, a frota acumulou cerca de 64.000 horas de voo, um número impressionante que reflete o intenso ritmo operacional e o elevado grau de prontidão da aeronave e das suas equipas e foi pintado o A-7P 15521 com uma pintura alusivas às 64.000 horas. O Corsair participou em inúmeros exercícios nacionais e internacionais, desempenhando um papel vital na consolidação da doutrina de ataque da FAP e no treino de gerações de pilotos de combate.

Com a chegada dos primeiros F-16 Fighting Falcon à FAP, o fim do ciclo do Corsair tornava-se inevitável. Mais avançado, versátil e preparado para os desafios do século XXI, o F-16 assumiu o papel de principal vetor de combate da força aérea, substituindo o A-7P nas suas funções estratégicas e táticas.

No entanto, o legado do Corsair permanece vivo. Mais do que um simples avião, foi uma escola de voo, uma plataforma de treino, e um símbolo da transição da FAP para uma força moderna e profissional. Para os que o voaram, o mantiveram e o acompanharam, o A-7P foi – e sempre será – um ícone de determinação e missão cumprida. Fiquem bem, Jorge Ruivo