A Força Aérea Portuguesa assinalou ontem uma data particularmente importante na história da aviação militar nacional: os 75 anos de serviço do de Havilland Canada DHC-1 Chipmunk e a marca das 175.000 horas de voo realizadas por esta emblemática aeronave ao serviço da Força Aérea.
Ao longo de três quartos de século, o Chipmunk tornou-se muito mais do que um simples avião de treino. Desde a sua entrada ao serviço, em 1951, milhares de jovens pilotos tiveram neste pequeno monomotor a sua primeira experiência de voo e deram com ele os primeiros passos de uma carreira que, em muitos casos, os levaria posteriormente aos comandos de algumas das mais avançadas aeronaves militares. A sua longevidade transformou-o numa verdadeira referência da formação aeronáutica portuguesa.
A marca das 175.000 horas de voo representa, por isso, muito mais do que um número. Cada hora corresponde a uma missão, a uma instrução, a um piloto e a uma equipa de militares responsáveis por manter estas aeronaves em condições de continuar a voar. São 175.000 horas que atravessam diferentes gerações, diferentes aeronaves e diferentes períodos da história da Força Aérea Portuguesa.
Atualmente operado pela Esquadra 802 – “Águias”, o Chipmunk MK20 continua ligado à formação elementar de pilotos-aviadores, mantendo uma missão que desempenha há décadas. Apesar da sua conceção remontar ao período do pós-guerra, as características de voo da aeronave continuam a permitir que cumpra de forma eficaz a sua função de formação. A própria Força Aérea reconhece o Chipmunk como uma aeronave que marcou gerações de pilotos e que permanece profundamente ligada à identidade da instituição.
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| Foto: @Hugo Silva |
As comemorações dos 75 anos ficaram também assinaladas pela inauguração de um novo monumento alusivo à presença do Chipmunk na Força Aérea Portuguesa. Mais do que homenagear uma aeronave, o monumento constitui uma memória permanente de três quartos de século de actividade operacional e, sobretudo, de todos aqueles que contribuíram para a sua história: pilotos, mecânicos, engenheiros e restantes militares que, ao longo das décadas, garantiram a operação e a manutenção destes aviões.
A escolha deste momento para perpetuar a presença do Chipmunk através de um monumento assume assim um significado especial. O avião que durante décadas esteve associado aos primeiros voos de muitos pilotos da Força Aérea passa também a fazer parte do património material da instituição, recordando às futuras gerações o papel que desempenhou na formação dos seus antecessores.
As comemorações constituíram igualmente uma oportunidade para reunir actuais e antigos operadores, militares e civis ligados ao Chipmunk, num encontro marcado pela memória, pela partilha de experiências e pela paixão por uma aeronave que continua a despertar um enorme carinho entre todos aqueles que com ela tiveram contacto.
Em 2026, o Chipmunk não celebra apenas 75 anos. Celebra 75 anos de serviço ininterrupto à aviação nacional, 175.000 horas de voo e uma história construída por milhares de pessoas. Uma história que começou em 1951 e que, três quartos de século depois, continua a escrever novos capítulos nos céus de Portugal.







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