Há 49 anos, no dia 15 de setembro de 1977, iniciava
atividade a Esquadra 501 Bisontes, unidade da Força Aérea Portuguesa criada
para operar o novo Lockheed C-130H Hercules. Nesse mesmo dia chegavam a
Portugal os primeiros exemplares do modelo, dando início a uma longa história
de transporte aéreo militar que se prolonga até aos nossos dias.
Sediada na Base Aérea N.º 6, no Montijo, a Esquadra 501 tem
como missão principal executar operações de mobilidade aérea, assegurando
transporte aéreo logístico intra e interteatro, operações aerotransportadas,
apoio a operações aéreas especiais, evacuação sanitária e missões de busca e
salvamento. A versatilidade do C-130H permite aos “Bisontes” atuar em cenários
extremamente diversificados e, muitas vezes, a milhares de quilómetros de
Portugal.
Ao longo de quase cinco décadas, os C-130 da Força Aérea
Portuguesa levaram a Cruz de Cristo a numerosos pontos do globo, participando
em missões em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor, Golfo
Pérsico, Moscovo, Afeganistão, Ruanda e Balcãs, entre muitos outros locais.
Mais recentemente, os “Bisontes” estiveram envolvidos em missões de apoio
humanitário no Haiti, Egito e Líbia, bem como na projeção e retração de forças
portuguesas integradas em missões internacionais.
A história da Esquadra está também marcada por importantes
operações de emergência e apoio à população. Em 2017, por exemplo, os C-130
participaram no repatriamento de cidadãos portugueses afetados pelo furacão
Irma nas Caraíbas. Mais recentemente, a capacidade de transporte dos “Bisontes”
voltou a ser demonstrada em numerosas missões nacionais e internacionais.
O C-130H continua igualmente a desempenhar um papel
importante na capacidade de transporte aéreo da Força Aérea. A frota portuguesa
foi submetida a um profundo programa de modernização dos aviões, incluindo a
atualização dos sistemas de aviónicos. Em agosto de 2024, a Força Aérea
anunciou que, pela primeira vez em vários anos, tinha novamente os quatro
C-130H da frota simultaneamente disponíveis para operação.
Apesar da idade da plataforma, os Hercules portugueses
demonstraram uma notável disponibilidade operacional. Entre 2020 e 2024,
enquanto parte da frota se encontrava imobilizada para a modernização, os
C-130H da FAP chegaram a registar, durante quatro anos consecutivos, o maior
número anual de horas de voo por aeronave entre todos os operadores mundiais do
modelo, atingindo aproximadamente 900 horas de voo por aeronave num ano.
A importância da Esquadra 501 ultrapassa, contudo, a simples
operação de uma aeronave de transporte. Os Bisontes constituem uma das
principais capacidades de projeção da Força Aérea Portuguesa, permitindo
transportar militares, passageiros, carga, equipamento e meios essenciais para
onde sejam necessários. Em junho de 2026, por exemplo, os C-130H participaram
na ponte aérea estabelecida para apoiar as comemorações do Dia de Portugal nos
Açores, contribuindo para o transporte de mais de 1500 pessoas e 61 toneladas
de carga.
O próprio emblema da Esquadra traduz a essência da sua
missão: um C-130 em voo, uma palete de carga suspensa por paraquedas e, ao
fundo, o azul representando o céu. É uma representação clara daquela que
continua a ser a razão de existir dos Bisontes: transportar, projetar e
apoiar, onde e quando Portugal necessitar.
Pelos serviços prestados ao País, a Esquadra 501 foi
distinguida, em 29 de setembro de 1995, pelo Presidente da República Mário
Soares, com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos. A distinção
reconheceu uma história de dedicação e profissionalismo que já então tinha
levado os C-130 portugueses a operar em alguns dos mais exigentes cenários
internacionais.
Hoje, 49 anos depois daquele 15 de setembro de 1977, os
“Bisontes” continuam a cumprir a sua missão a partir do Montijo. Quase meio
século de operações, milhares de horas de voo, incontáveis missões e gerações
de militares que fizeram do C-130H uma das plataformas mais importantes da
história recente da Força Aérea Portuguesa.
49 anos depois, mantém-se o mesmo espírito e o mesmo
lema: “Onde Necessário, Quando Necessário”.
Parabéns aos Bisontes


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