A 20 de julho de 1951, o protótipo Hawker P.1067, que daria origem ao lendário Hawker Hunter, realizou o seu voo inaugural a partir da RAF Boscombe Down, tendo aos comandos o célebre piloto de testes Neville Duke. Setenta e cinco anos depois, o Hunter continua a ser recordado como um dos caças mais elegantes e bem-sucedidos da era dos primeiros jatos, permanecendo uma referência incontornável na história da aviação militar.
Desenvolvido pela britânica Hawker Aircraft para responder às exigências da Royal Air Force durante o início da Guerra Fria, o Hunter surgiu como sucessor dos primeiros caças a reação britânicos, combinando uma aerodinâmica refinada com excelentes prestações. Equipado com o motor Rolls-Royce Avon, destacou-se pela elevada velocidade, excelente manobrabilidade e robustez, características que rapidamente lhe garantiram uma reputação invejável entre os pilotos.
Ao longo da sua carreira foram construídos 1.972 exemplares, nas mais diversas versões, desde caças de superioridade aérea até variantes de treino e ataque ao solo. O Hunter foi exportado para dezenas de países, permanecendo em serviço durante várias décadas em forças aéreas da Europa, Médio Oriente, Ásia, África e América do Sul. Em alguns operadores, manteve-se ativo até ao século XXI, testemunhando a qualidade do seu projeto.
Além da sua longa carreira operacional, o Hawker Hunter tornou-se uma presença habitual em festivais aéreos graças ao seu desempenho elegante e ao inconfundível rugido do motor Avon. No entanto, a tragédia ocorrida durante o Shoreham Airshow, em 2015, alterou profundamente a forma como estas aeronaves históricas participam em demonstrações aéreas no Reino Unido. Desde então, os dois exemplares ainda aeronavegáveis naquele país deixaram de realizar exibições acrobáticas públicas, embora continuem a marcar presença em exposições estáticas e efetuem ocasionalmente voos de treino ou de baixa altitude.
Um desses exemplares continua a voar no Reino Unido sob a operação da Hawker Hunter Aviation. Trata-se do Hawker Hunter Mk.58, com a matrícula militar ZZ190 e o registo civil G-HHAD, facilmente reconhecido pelo seu distinto esquema de pintura "Dazzle", inspirado nos padrões de camuflagem disruptiva utilizados por navios durante a Primeira Guerra Mundial. A aeronave marcou presença na edição de 2024 do Royal International Air Tattoo (RIAT), em RAF Fairford, onde voltou a demonstrar toda a elegância das linhas do Hunter, constituindo uma das grandes atrações entre os clássicos históricos presentes no evento e recordando aos milhares de visitantes um dos mais emblemáticos caças britânicos do pós-guerra.
A cronologia do Hunter ajuda igualmente a compreender a rapidez da evolução tecnológica da época. O seu primeiro voo ocorreu apenas 15 anos após o voo inaugural do Supermarine Spitfire, em 1936, e apenas três anos antes da estreia do protótipo do English Electric Lightning, em 1954. Em menos de duas décadas, a aviação militar passou dos caças a pistão que dominaram a Segunda Guerra Mundial para aeronaves a jato capazes de ultrapassar a velocidade do som.
Setenta e cinco anos após levantar voo pela primeira vez, o Hawker Hunter continua a simbolizar uma época de extraordinária inovação tecnológica. A sua silhueta elegante, as linhas harmoniosas e o desempenho excecional garantem-lhe um lugar de destaque entre os mais icónicos aviões militares de sempre. Mesmo com apenas um pequeno número de exemplares ainda aeronavegáveis, o Hunter permanece vivo na memória de gerações de pilotos, mecânicos e apaixonados pela aviação, provando que algumas máquinas conseguem transcender o seu tempo e transformar-se em verdadeiras lendas.































