domingo, 4 de outubro de 2026

Esquadra 201 Falcões celebra 68 anos


Hoje, 4 de outubro, a Esquadra 201 celebra 68 anos de existência. Na verdade, os primeiros "Falcões" surgiram em 4 de fevereiro de 1958. No entanto, é tradição comemorar o aniversário a 4 de outubro, coincidindo com o dia da Base Aérea N.º 5 (BA5), Monte Real.

Apesar de atualmente ser conhecida como Esquadra 201, a história dos Falcões remonta a 4 de fevereiro de 1958, data em que foi criada a Esquadra 50 “Falcões”, tendo como primeiro comandante o Capitão Piloto-Aviador Gualdino Moura Pinto. Poucos meses depois, em setembro desse mesmo ano, a unidade passou a designar-se Esquadra 51, no âmbito da revisão do sistema de numeração das unidades da Força Aérea.

Foi com o F-86F Sabre que os Falcões iniciaram a sua história operacional. A 22 de setembro de 1958 realizou-se o primeiro voo de um piloto português neste caça, e apenas dois dias depois seria ultrapassada pela primeira vez a barreira do som em Portugal por um piloto português. Os F-86F tornar-se-iam, durante mais de duas décadas, a imagem de marca dos Falcões.

Em 1961, oito F-86F da Esquadra 51 foram destacados de Monte Real para a Guiné-Bissau, no âmbito da Operação Atlas, onde permaneceram envolvidos em missões operacionais até 1964. Mais tarde, entre 1966 e 1973, os Falcões operaram também o Fiat G.91, utilizado na preparação dos pilotos destinados às unidades operacionais nos teatros africanos. Em 1977 chegaram à Esquadra 51 os T-38 Talon, destinados ao treino avançado de combate.

A reorganização da Força Aérea em 1978 trouxe uma nova designação: a Esquadra 51 passou a ser a Esquadra 201, mantendo as tradições e a identidade dos Falcões. Contudo, em 1980, com o fim da operação dos F-86F, a unidade passou a designar-se Esquadra 302 e, a partir de 1981, assumiu a operação dos A-7P Corsair II. Embora a designação tivesse mudado, a herança dos Falcões permaneceu associada à unidade.

Seria em 4 de outubro de 1993 que a Força Aérea recuperaria novamente a designação Esquadra 201 “Falcões”, desta vez para operar o novo sistema de armas F-16. No ano seguinte chegaram à BA5 os primeiros F-16A/B OCU, iniciando-se uma nova era na história da unidade.

Desde então, os Falcões têm desempenhado um papel de relevo na Defesa Aérea de Portugal e nas missões internacionais da Força Aérea. Entre os momentos de maior destaque contam-se a participação na operação Allied Force, no Kosovo, em 1999, o exercício Red Flag, nos Estados Unidos, e os numerosos destacamentos de Policiamento Aéreo da NATO nos Estados Bálticos, Islândia, Roménia e Polónia.


A 26 de maio de 2011, a Esquadra 201 passou oficialmente a operar o F-16 no padrão MLU, mantendo-se desde então na vanguarda da capacidade de combate da Força Aérea Portuguesa.

Uma particularidade da comemoração do aniversário dos Falcões merece também ser recordada. Embora a Esquadra tenha sido criada em fevereiro de 1958, a partir de determinada altura foi instituída a tradição de celebrar o seu aniversário a 4 de outubro. A escolha desta data não é casual: coincide com o Dia da Unidade da Base Aérea N.º 5, cuja inauguração oficial ocorreu precisamente a 4 de outubro de 1959. Assim, a celebração dos Falcões ficou para sempre associada à sua casa, Monte Real, e à própria história da BA5.

Ao longo de 68 anos, mudaram as designações, as aeronaves e as gerações de homens e mulheres que serviram na unidade. Permaneceu, contudo, aquilo que verdadeiramente identifica os Falcões: o seu espírito, a sua tradição e o lema que os acompanha desde 1958 — “Guerra ou Paz Tanto Nos Faz”.

Hoje, ao celebrarem 68 anos, os Falcões continuam a escrever uma história que começou com o F-86F Sabre e que prossegue aos comandos do F-16M, mantendo viva uma das mais antigas e prestigiadas tradições da aviação de caça portuguesa.




























Hoje, 4 de outubro, a Esquadra 201 celebra 68 anos de existência. Na verdade, os primeiros "Falcões" surgiram em 4 de fevereiro de 1958. No entanto, é tradição comemorar o aniversário a 4 de outubro, coincidindo com o dia da Base Aérea N.º 5 (BA5), Monte Real.

Apesar de atualmente ser conhecida como Esquadra 201, a história dos Falcões remonta a 4 de fevereiro de 1958, data em que foi criada a Esquadra 50 “Falcões”, tendo como primeiro comandante o Capitão Piloto-Aviador Gualdino Moura Pinto. Poucos meses depois, em setembro desse mesmo ano, a unidade passou a designar-se Esquadra 51, no âmbito da revisão do sistema de numeração das unidades da Força Aérea.

Foi com o F-86F Sabre que os Falcões iniciaram a sua história operacional. A 22 de setembro de 1958 realizou-se o primeiro voo de um piloto português neste caça, e apenas dois dias depois seria ultrapassada pela primeira vez a barreira do som em Portugal por um piloto português. Os F-86F tornar-se-iam, durante mais de duas décadas, a imagem de marca dos Falcões.

Em 1961, oito F-86F da Esquadra 51 foram destacados de Monte Real para a Guiné-Bissau, no âmbito da Operação Atlas, onde permaneceram envolvidos em missões operacionais até 1964. Mais tarde, entre 1966 e 1973, os Falcões operaram também o Fiat G.91, utilizado na preparação dos pilotos destinados às unidades operacionais nos teatros africanos. Em 1977 chegaram à Esquadra 51 os T-38 Talon, destinados ao treino avançado de combate.

A reorganização da Força Aérea em 1978 trouxe uma nova designação: a Esquadra 51 passou a ser a Esquadra 201, mantendo as tradições e a identidade dos Falcões. Contudo, em 1980, com o fim da operação dos F-86F, a unidade passou a designar-se Esquadra 302 e, a partir de 1981, assumiu a operação dos A-7P Corsair II. Embora a designação tivesse mudado, a herança dos Falcões permaneceu associada à unidade.

Seria em 4 de outubro de 1993 que a Força Aérea recuperaria novamente a designação Esquadra 201 “Falcões”, desta vez para operar o novo sistema de armas F-16. No ano seguinte chegaram à BA5 os primeiros F-16A/B OCU, iniciando-se uma nova era na história da unidade.

Desde então, os Falcões têm desempenhado um papel de relevo na Defesa Aérea de Portugal e nas missões internacionais da Força Aérea. Entre os momentos de maior destaque contam-se a participação na operação Allied Force, no Kosovo, em 1999, o exercício Red Flag, nos Estados Unidos, e os numerosos destacamentos de Policiamento Aéreo da NATO nos Estados Bálticos, Islândia, Roménia e Polónia.


A 26 de maio de 2011, a Esquadra 201 passou oficialmente a operar o F-16 no padrão MLU, mantendo-se desde então na vanguarda da capacidade de combate da Força Aérea Portuguesa.

Uma particularidade da comemoração do aniversário dos Falcões merece também ser recordada. Embora a Esquadra tenha sido criada em fevereiro de 1958, a partir de determinada altura foi instituída a tradição de celebrar o seu aniversário a 4 de outubro. A escolha desta data não é casual: coincide com o Dia da Unidade da Base Aérea N.º 5, cuja inauguração oficial ocorreu precisamente a 4 de outubro de 1959. Assim, a celebração dos Falcões ficou para sempre associada à sua casa, Monte Real, e à própria história da BA5.

Ao longo de 68 anos, mudaram as designações, as aeronaves e as gerações de homens e mulheres que serviram na unidade. Permaneceu, contudo, aquilo que verdadeiramente identifica os Falcões: o seu espírito, a sua tradição e o lema que os acompanha desde 1958 — “Guerra ou Paz Tanto Nos Faz”.

Hoje, ao celebrarem 68 anos, os Falcões continuam a escrever uma história que começou com o F-86F Sabre e que prossegue aos comandos do F-16M, mantendo viva uma das mais antigas e prestigiadas tradições da aviação de caça portuguesa.



























A Base Aérea 5 de Monte Real comemora 67 anos

 

A Base Aérea nº5, sediada em Monte Real, celebra hoje 67 anos de existência, destacando-se como um dos pilares da aviação de caça e defesa aérea em Portugal. Desde a sua fundação, a unidade foi responsável por importantes marcos operacionais e pela evolução da aviação de combate da Força Aérea Portuguesa.


História

A origem da Base Aérea nº5 remonta ao tempo em que o Aeroclube de Leiria utilizava o terreno entre 1938 e 1941, dando posteriormente lugar a um aeródromo militar. Oficialmente inaugurada a 4 de outubro de 1959, a BA5 foi criada com o objetivo estratégico de garantir a defesa aérea, sendo construída num local central do país para permitir uma resposta rápida a quaisquer ameaças. Ao longo da sua história, a base recebeu distintos reconhecimentos institucionais e foi palco de missões nacionais e internacionais ligadas à defesa e preparação operacional


Esquadras de voo

A BA5 foi originalmente equipada com duas esquadras, a 51 “Falcões” e a 52 “Galos”, ambas operando F-86F Sabre. Atualmente, acolhe duas das principais esquadras de caça da Força Aérea Portuguesa:

  • Esquadra 201 “Falcões”: Opera atualmente o F-16AM/BM Fighting Falcon, com missão principal de defesa aérea e atribuições secundárias em apoio e interdição aérea.
  • Esquadra 301 “Jaguares”: Transferida em 2005 da Base Aérea nº11, também opera o F-16AM/BM, com capacidades em missões defensivas, ofensivas e anti-superfície.

Anteriormente, a base acolheu outras esquadras, como a Esquadra 52 “Galos” (desativada em 1961), a Esquadra 103 “Caracóis” (treino), Esquadra 302 e Esquadra 304, bem como outros núcleos operacionais temporários relacionados com conversão e formação.

  • F-86F Sabre – Introduzidos em 1959 como primeira linha de caça.
  • Fiat G.91 – Operacional entre 1966 e 1973, especialmente para treino de pilotos.
  • T-33A e T-38 Talon – Usados para instrução complementar e avançada nos anos 70.
  • A-7P Corsair II – Principal vetor de ataque entre 1981 e 1999.
  • F-16A/B OCU e F-16AM/BM MLU – Introduzidos a partir de 1994 e, desde 2003, modernizados com Mid Life Update, são atualmente a principal aeronave da base e da aviação de caça nacional.


Atualmente, a BA5 mantém-se como o núcleo da aviação de caça da Força Aérea Portuguesa, operando uma frota de cerca de 28 F-16AM/BM pelas esquadras 201 e 301, garantindo a soberania e defesa do espaço aéreo nacional. Aproveitando esta data importante na vida da Base da Aviação de Caça, comemora-se também o aniversário da Esquadra 201 Falcões que fazem este ano 68.


A Base Aérea nº5 continua, assim, a escrever a sua história, mantendo viva a tradição, profissionalismo e dedicação daqueles que ao longo de 67 anos serviram e continuam a servir Portugal a partir de Monte Real.





























 

A Base Aérea nº5, sediada em Monte Real, celebra hoje 67 anos de existência, destacando-se como um dos pilares da aviação de caça e defesa aérea em Portugal. Desde a sua fundação, a unidade foi responsável por importantes marcos operacionais e pela evolução da aviação de combate da Força Aérea Portuguesa.


História

A origem da Base Aérea nº5 remonta ao tempo em que o Aeroclube de Leiria utilizava o terreno entre 1938 e 1941, dando posteriormente lugar a um aeródromo militar. Oficialmente inaugurada a 4 de outubro de 1959, a BA5 foi criada com o objetivo estratégico de garantir a defesa aérea, sendo construída num local central do país para permitir uma resposta rápida a quaisquer ameaças. Ao longo da sua história, a base recebeu distintos reconhecimentos institucionais e foi palco de missões nacionais e internacionais ligadas à defesa e preparação operacional


Esquadras de voo

A BA5 foi originalmente equipada com duas esquadras, a 51 “Falcões” e a 52 “Galos”, ambas operando F-86F Sabre. Atualmente, acolhe duas das principais esquadras de caça da Força Aérea Portuguesa:

  • Esquadra 201 “Falcões”: Opera atualmente o F-16AM/BM Fighting Falcon, com missão principal de defesa aérea e atribuições secundárias em apoio e interdição aérea.
  • Esquadra 301 “Jaguares”: Transferida em 2005 da Base Aérea nº11, também opera o F-16AM/BM, com capacidades em missões defensivas, ofensivas e anti-superfície.

Anteriormente, a base acolheu outras esquadras, como a Esquadra 52 “Galos” (desativada em 1961), a Esquadra 103 “Caracóis” (treino), Esquadra 302 e Esquadra 304, bem como outros núcleos operacionais temporários relacionados com conversão e formação.

  • F-86F Sabre – Introduzidos em 1959 como primeira linha de caça.
  • Fiat G.91 – Operacional entre 1966 e 1973, especialmente para treino de pilotos.
  • T-33A e T-38 Talon – Usados para instrução complementar e avançada nos anos 70.
  • A-7P Corsair II – Principal vetor de ataque entre 1981 e 1999.
  • F-16A/B OCU e F-16AM/BM MLU – Introduzidos a partir de 1994 e, desde 2003, modernizados com Mid Life Update, são atualmente a principal aeronave da base e da aviação de caça nacional.


Atualmente, a BA5 mantém-se como o núcleo da aviação de caça da Força Aérea Portuguesa, operando uma frota de cerca de 28 F-16AM/BM pelas esquadras 201 e 301, garantindo a soberania e defesa do espaço aéreo nacional. Aproveitando esta data importante na vida da Base da Aviação de Caça, comemora-se também o aniversário da Esquadra 201 Falcões que fazem este ano 68.


A Base Aérea nº5 continua, assim, a escrever a sua história, mantendo viva a tradição, profissionalismo e dedicação daqueles que ao longo de 67 anos serviram e continuam a servir Portugal a partir de Monte Real.





























domingo, 27 de setembro de 2026

A-7 Corsair II: 61 anos de um ícone da aviação de ataque

@Anders Nylén

Assinalam-se hoje, 27 de setembro de 2026, 61 anos do primeiro voo do LTV A-7 Corsair II, realizado em 27 de setembro de 1965. Desenvolvido pela Chance Vought, posteriormente integrada na Ling-Temco-Vought (LTV), o A-7 nasceu para substituir o Douglas A-4 Skyhawk na função de avião ligeiro de ataque da Marinha dos Estados Unidos. O primeiro exemplar voou apenas cerca de 16 meses depois da assinatura do contrato de desenvolvimento, demonstrando a rapidez com que o programa avançou.

Derivado conceptualmente do F-8 Crusader, o Corsair II apresentava uma configuração muito diferente: monorreactor, asa alta, trem de aterragem triciclo e uma fuselagem compacta, optimizada para transportar uma elevada carga de armamento. Embora fosse subsónico, a sua grande autonomia, capacidade de carga e precisão no ataque tornaram-no uma plataforma particularmente eficaz. Dependendo da versão, podia transportar cerca de 6.800 kg de armamento, incluindo bombas convencionais, foguetes e mísseis, e as versões mais avançadas dispunham de radar, sistemas de navegação e sensores destinados a operações diurnas e nocturnas.

@Anders Nylén

A carreira operacional do A-7 ficaria profundamente ligada à Guerra do Vietname, onde os Corsair II da U.S. Navy realizaram milhares de missões de ataque. O tipo participou posteriormente em operações no Líbano, Granada, Líbia, Panamá e na Guerra do Golfo, onde os últimos A-7E da Marinha norte-americana participaram em operações de combate em 1991. A U.S. Navy retirou o Corsair II nesse mesmo ano, seguindo-se a Air National Guard em 1993.

O A-7 foi também operado pela U.S. Air Force, U.S. Marine Corps e Air National Guard, além de ter sido exportado para Grécia, Portugal e Tailândia. A Grécia acabaria por ser o último operador mundial, retirando os seus últimos Corsair II em 17 de outubro de 2014, encerrando quase meio século de serviço do modelo.

@Anders Nylén

O Corsair II em Portugal

Portugal teve um papel particularmente importante na história do A-7. A Força Aérea Portuguesa recebeu 50 aeronaves, constituídas por 44 A-7P monopostos e seis TA-7P bilugares, reconstruídos a partir de células A-7A da U.S. Navy. Equipados com motores Pratt & Whitney TF30-P-408 e aviónicos derivados das versões A-7D/E, os aviões portugueses começaram a chegar a Monte Real em dezembro de 1981.

Os Corsair II equiparam inicialmente a Esquadra 302, a partir de 1981, e posteriormente a Esquadra 304 "Magníficos", constituída em 1984. Operando a partir da Base Aérea de Monte Real, desempenharam missões de ataque, interdição aérea, luta anti-superfície e defesa aérea, assumindo também uma importante componente de defesa dos interesses portugueses no Atlântico.

Após 18 anos ao serviço da Força Aérea Portuguesa, o último A-7P realizou o seu derradeiro voo operacional em 10 de julho de 1999, encerrando uma das mais marcantes páginas da aviação militar portuguesa do final do século XX.

61 anos depois do primeiro voo, o A-7 Corsair II continua a ser recordado como um dos mais emblemáticos aviões de ataque da sua geração — e, em Portugal, permanece especialmente ligado à história de Monte Real e às Esquadras 302 e 304.

Nota do autor: O agradecimento especial a Anders Nylén pela disponibilização de fotos do seu voo em A-7P Corsair II























@Anders Nylén

Assinalam-se hoje, 27 de setembro de 2026, 61 anos do primeiro voo do LTV A-7 Corsair II, realizado em 27 de setembro de 1965. Desenvolvido pela Chance Vought, posteriormente integrada na Ling-Temco-Vought (LTV), o A-7 nasceu para substituir o Douglas A-4 Skyhawk na função de avião ligeiro de ataque da Marinha dos Estados Unidos. O primeiro exemplar voou apenas cerca de 16 meses depois da assinatura do contrato de desenvolvimento, demonstrando a rapidez com que o programa avançou.

Derivado conceptualmente do F-8 Crusader, o Corsair II apresentava uma configuração muito diferente: monorreactor, asa alta, trem de aterragem triciclo e uma fuselagem compacta, optimizada para transportar uma elevada carga de armamento. Embora fosse subsónico, a sua grande autonomia, capacidade de carga e precisão no ataque tornaram-no uma plataforma particularmente eficaz. Dependendo da versão, podia transportar cerca de 6.800 kg de armamento, incluindo bombas convencionais, foguetes e mísseis, e as versões mais avançadas dispunham de radar, sistemas de navegação e sensores destinados a operações diurnas e nocturnas.

@Anders Nylén

A carreira operacional do A-7 ficaria profundamente ligada à Guerra do Vietname, onde os Corsair II da U.S. Navy realizaram milhares de missões de ataque. O tipo participou posteriormente em operações no Líbano, Granada, Líbia, Panamá e na Guerra do Golfo, onde os últimos A-7E da Marinha norte-americana participaram em operações de combate em 1991. A U.S. Navy retirou o Corsair II nesse mesmo ano, seguindo-se a Air National Guard em 1993.

O A-7 foi também operado pela U.S. Air Force, U.S. Marine Corps e Air National Guard, além de ter sido exportado para Grécia, Portugal e Tailândia. A Grécia acabaria por ser o último operador mundial, retirando os seus últimos Corsair II em 17 de outubro de 2014, encerrando quase meio século de serviço do modelo.

@Anders Nylén

O Corsair II em Portugal

Portugal teve um papel particularmente importante na história do A-7. A Força Aérea Portuguesa recebeu 50 aeronaves, constituídas por 44 A-7P monopostos e seis TA-7P bilugares, reconstruídos a partir de células A-7A da U.S. Navy. Equipados com motores Pratt & Whitney TF30-P-408 e aviónicos derivados das versões A-7D/E, os aviões portugueses começaram a chegar a Monte Real em dezembro de 1981.

Os Corsair II equiparam inicialmente a Esquadra 302, a partir de 1981, e posteriormente a Esquadra 304 "Magníficos", constituída em 1984. Operando a partir da Base Aérea de Monte Real, desempenharam missões de ataque, interdição aérea, luta anti-superfície e defesa aérea, assumindo também uma importante componente de defesa dos interesses portugueses no Atlântico.

Após 18 anos ao serviço da Força Aérea Portuguesa, o último A-7P realizou o seu derradeiro voo operacional em 10 de julho de 1999, encerrando uma das mais marcantes páginas da aviação militar portuguesa do final do século XX.

61 anos depois do primeiro voo, o A-7 Corsair II continua a ser recordado como um dos mais emblemáticos aviões de ataque da sua geração — e, em Portugal, permanece especialmente ligado à história de Monte Real e às Esquadras 302 e 304.

Nota do autor: O agradecimento especial a Anders Nylén pela disponibilização de fotos do seu voo em A-7P Corsair II























sábado, 19 de setembro de 2026

75 anos de Chipmunk e175.000 horas a formar pilotos na Força Aérea Portuguesa


A Força Aérea Portuguesa assinalou ontem uma data particularmente importante na história da aviação militar nacional: os 75 anos de serviço do de Havilland Canada DHC-1 Chipmunk e a marca das 175.000 horas de voo realizadas por esta emblemática aeronave ao serviço da Força Aérea.

Ao longo de três quartos de século, o Chipmunk tornou-se muito mais do que um simples avião de treino. Desde a sua entrada ao serviço, em 1951, milhares de jovens pilotos tiveram neste pequeno monomotor a sua primeira experiência de voo e deram com ele os primeiros passos de uma carreira que, em muitos casos, os levaria posteriormente aos comandos de algumas das mais avançadas aeronaves militares. A sua longevidade transformou-o numa verdadeira referência da formação aeronáutica portuguesa.

A marca das 175.000 horas de voo representa, por isso, muito mais do que um número. Cada hora corresponde a uma missão, a uma instrução, a um piloto e a uma equipa de militares responsáveis por manter estas aeronaves em condições de continuar a voar. São 175.000 horas que atravessam diferentes gerações, diferentes aeronaves e diferentes períodos da história da Força Aérea Portuguesa.

Atualmente operado pela Esquadra 802 – “Águias”, o Chipmunk MK20 continua ligado à formação elementar de pilotos-aviadores, mantendo uma missão que desempenha há décadas. Apesar da sua conceção remontar ao período do pós-guerra, as características de voo da aeronave continuam a permitir que cumpra de forma eficaz a sua função de formação. A própria Força Aérea reconhece o Chipmunk como uma aeronave que marcou gerações de pilotos e que permanece profundamente ligada à identidade da instituição.

Foto: @Hugo Silva

As comemorações dos 75 anos ficaram também assinaladas pela inauguração de um novo monumento alusivo à presença do Chipmunk na Força Aérea Portuguesa. Mais do que homenagear uma aeronave, o monumento constitui uma memória permanente de três quartos de século de actividade operacional e, sobretudo, de todos aqueles que contribuíram para a sua história: pilotos, mecânicos, engenheiros e restantes militares que, ao longo das décadas, garantiram a operação e a manutenção destes aviões.

A escolha deste momento para perpetuar a presença do Chipmunk através de um monumento assume assim um significado especial. O avião que durante décadas esteve associado aos primeiros voos de muitos pilotos da Força Aérea passa também a fazer parte do património material da instituição, recordando às futuras gerações o papel que desempenhou na formação dos seus antecessores.

As comemorações constituíram igualmente uma oportunidade para reunir actuais e antigos operadores, militares e civis ligados ao Chipmunk, num encontro marcado pela memória, pela partilha de experiências e pela paixão por uma aeronave que continua a despertar um enorme carinho entre todos aqueles que com ela tiveram contacto.

Em 2026, o Chipmunk não celebra apenas 75 anos. Celebra 75 anos de serviço ininterrupto à aviação nacional, 175.000 horas de voo e uma história construída por milhares de pessoas. Uma história que começou em 1951 e que, três quartos de século depois, continua a escrever novos capítulos nos céus de Portugal.

































A Força Aérea Portuguesa assinalou ontem uma data particularmente importante na história da aviação militar nacional: os 75 anos de serviço do de Havilland Canada DHC-1 Chipmunk e a marca das 175.000 horas de voo realizadas por esta emblemática aeronave ao serviço da Força Aérea.

Ao longo de três quartos de século, o Chipmunk tornou-se muito mais do que um simples avião de treino. Desde a sua entrada ao serviço, em 1951, milhares de jovens pilotos tiveram neste pequeno monomotor a sua primeira experiência de voo e deram com ele os primeiros passos de uma carreira que, em muitos casos, os levaria posteriormente aos comandos de algumas das mais avançadas aeronaves militares. A sua longevidade transformou-o numa verdadeira referência da formação aeronáutica portuguesa.

A marca das 175.000 horas de voo representa, por isso, muito mais do que um número. Cada hora corresponde a uma missão, a uma instrução, a um piloto e a uma equipa de militares responsáveis por manter estas aeronaves em condições de continuar a voar. São 175.000 horas que atravessam diferentes gerações, diferentes aeronaves e diferentes períodos da história da Força Aérea Portuguesa.

Atualmente operado pela Esquadra 802 – “Águias”, o Chipmunk MK20 continua ligado à formação elementar de pilotos-aviadores, mantendo uma missão que desempenha há décadas. Apesar da sua conceção remontar ao período do pós-guerra, as características de voo da aeronave continuam a permitir que cumpra de forma eficaz a sua função de formação. A própria Força Aérea reconhece o Chipmunk como uma aeronave que marcou gerações de pilotos e que permanece profundamente ligada à identidade da instituição.

Foto: @Hugo Silva

As comemorações dos 75 anos ficaram também assinaladas pela inauguração de um novo monumento alusivo à presença do Chipmunk na Força Aérea Portuguesa. Mais do que homenagear uma aeronave, o monumento constitui uma memória permanente de três quartos de século de actividade operacional e, sobretudo, de todos aqueles que contribuíram para a sua história: pilotos, mecânicos, engenheiros e restantes militares que, ao longo das décadas, garantiram a operação e a manutenção destes aviões.

A escolha deste momento para perpetuar a presença do Chipmunk através de um monumento assume assim um significado especial. O avião que durante décadas esteve associado aos primeiros voos de muitos pilotos da Força Aérea passa também a fazer parte do património material da instituição, recordando às futuras gerações o papel que desempenhou na formação dos seus antecessores.

As comemorações constituíram igualmente uma oportunidade para reunir actuais e antigos operadores, militares e civis ligados ao Chipmunk, num encontro marcado pela memória, pela partilha de experiências e pela paixão por uma aeronave que continua a despertar um enorme carinho entre todos aqueles que com ela tiveram contacto.

Em 2026, o Chipmunk não celebra apenas 75 anos. Celebra 75 anos de serviço ininterrupto à aviação nacional, 175.000 horas de voo e uma história construída por milhares de pessoas. Uma história que começou em 1951 e que, três quartos de século depois, continua a escrever novos capítulos nos céus de Portugal.
































terça-feira, 15 de setembro de 2026

Esquadra 501 Bisontes faz hoje 49 anos

 

Há 49 anos, no dia 15 de setembro de 1977, iniciava atividade a Esquadra 501 Bisontes, unidade da Força Aérea Portuguesa criada para operar o novo Lockheed C-130H Hercules. Nesse mesmo dia chegavam a Portugal os primeiros exemplares do modelo, dando início a uma longa história de transporte aéreo militar que se prolonga até aos nossos dias.

Sediada na Base Aérea N.º 6, no Montijo, a Esquadra 501 tem como missão principal executar operações de mobilidade aérea, assegurando transporte aéreo logístico intra e interteatro, operações aerotransportadas, apoio a operações aéreas especiais, evacuação sanitária e missões de busca e salvamento. A versatilidade do C-130H permite aos “Bisontes” atuar em cenários extremamente diversificados e, muitas vezes, a milhares de quilómetros de Portugal.

Ao longo de quase cinco décadas, os C-130 da Força Aérea Portuguesa levaram a Cruz de Cristo a numerosos pontos do globo, participando em missões em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor, Golfo Pérsico, Moscovo, Afeganistão, Ruanda e Balcãs, entre muitos outros locais. Mais recentemente, os “Bisontes” estiveram envolvidos em missões de apoio humanitário no Haiti, Egito e Líbia, bem como na projeção e retração de forças portuguesas integradas em missões internacionais.

A história da Esquadra está também marcada por importantes operações de emergência e apoio à população. Em 2017, por exemplo, os C-130 participaram no repatriamento de cidadãos portugueses afetados pelo furacão Irma nas Caraíbas. Mais recentemente, a capacidade de transporte dos “Bisontes” voltou a ser demonstrada em numerosas missões nacionais e internacionais.

O C-130H continua igualmente a desempenhar um papel importante na capacidade de transporte aéreo da Força Aérea. A frota portuguesa foi submetida a um profundo programa de modernização dos aviões, incluindo a atualização dos sistemas de aviónicos. Em agosto de 2024, a Força Aérea anunciou que, pela primeira vez em vários anos, tinha novamente os quatro C-130H da frota simultaneamente disponíveis para operação.

Apesar da idade da plataforma, os Hercules portugueses demonstraram uma notável disponibilidade operacional. Entre 2020 e 2024, enquanto parte da frota se encontrava imobilizada para a modernização, os C-130H da FAP chegaram a registar, durante quatro anos consecutivos, o maior número anual de horas de voo por aeronave entre todos os operadores mundiais do modelo, atingindo aproximadamente 900 horas de voo por aeronave num ano.

A importância da Esquadra 501 ultrapassa, contudo, a simples operação de uma aeronave de transporte. Os Bisontes constituem uma das principais capacidades de projeção da Força Aérea Portuguesa, permitindo transportar militares, passageiros, carga, equipamento e meios essenciais para onde sejam necessários. Em junho de 2026, por exemplo, os C-130H participaram na ponte aérea estabelecida para apoiar as comemorações do Dia de Portugal nos Açores, contribuindo para o transporte de mais de 1500 pessoas e 61 toneladas de carga.

O próprio emblema da Esquadra traduz a essência da sua missão: um C-130 em voo, uma palete de carga suspensa por paraquedas e, ao fundo, o azul representando o céu. É uma representação clara daquela que continua a ser a razão de existir dos Bisontes: transportar, projetar e apoiar, onde e quando Portugal necessitar.



Pelos serviços prestados ao País, a Esquadra 501 foi distinguida, em 29 de setembro de 1995, pelo Presidente da República Mário Soares, com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos. A distinção reconheceu uma história de dedicação e profissionalismo que já então tinha levado os C-130 portugueses a operar em alguns dos mais exigentes cenários internacionais.

Hoje, 49 anos depois daquele 15 de setembro de 1977, os “Bisontes” continuam a cumprir a sua missão a partir do Montijo. Quase meio século de operações, milhares de horas de voo, incontáveis missões e gerações de militares que fizeram do C-130H uma das plataformas mais importantes da história recente da Força Aérea Portuguesa.

49 anos depois, mantém-se o mesmo espírito e o mesmo lema: “Onde Necessário, Quando Necessário”.

Parabéns aos Bisontes


































 

Há 49 anos, no dia 15 de setembro de 1977, iniciava atividade a Esquadra 501 Bisontes, unidade da Força Aérea Portuguesa criada para operar o novo Lockheed C-130H Hercules. Nesse mesmo dia chegavam a Portugal os primeiros exemplares do modelo, dando início a uma longa história de transporte aéreo militar que se prolonga até aos nossos dias.

Sediada na Base Aérea N.º 6, no Montijo, a Esquadra 501 tem como missão principal executar operações de mobilidade aérea, assegurando transporte aéreo logístico intra e interteatro, operações aerotransportadas, apoio a operações aéreas especiais, evacuação sanitária e missões de busca e salvamento. A versatilidade do C-130H permite aos “Bisontes” atuar em cenários extremamente diversificados e, muitas vezes, a milhares de quilómetros de Portugal.

Ao longo de quase cinco décadas, os C-130 da Força Aérea Portuguesa levaram a Cruz de Cristo a numerosos pontos do globo, participando em missões em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor, Golfo Pérsico, Moscovo, Afeganistão, Ruanda e Balcãs, entre muitos outros locais. Mais recentemente, os “Bisontes” estiveram envolvidos em missões de apoio humanitário no Haiti, Egito e Líbia, bem como na projeção e retração de forças portuguesas integradas em missões internacionais.

A história da Esquadra está também marcada por importantes operações de emergência e apoio à população. Em 2017, por exemplo, os C-130 participaram no repatriamento de cidadãos portugueses afetados pelo furacão Irma nas Caraíbas. Mais recentemente, a capacidade de transporte dos “Bisontes” voltou a ser demonstrada em numerosas missões nacionais e internacionais.

O C-130H continua igualmente a desempenhar um papel importante na capacidade de transporte aéreo da Força Aérea. A frota portuguesa foi submetida a um profundo programa de modernização dos aviões, incluindo a atualização dos sistemas de aviónicos. Em agosto de 2024, a Força Aérea anunciou que, pela primeira vez em vários anos, tinha novamente os quatro C-130H da frota simultaneamente disponíveis para operação.

Apesar da idade da plataforma, os Hercules portugueses demonstraram uma notável disponibilidade operacional. Entre 2020 e 2024, enquanto parte da frota se encontrava imobilizada para a modernização, os C-130H da FAP chegaram a registar, durante quatro anos consecutivos, o maior número anual de horas de voo por aeronave entre todos os operadores mundiais do modelo, atingindo aproximadamente 900 horas de voo por aeronave num ano.

A importância da Esquadra 501 ultrapassa, contudo, a simples operação de uma aeronave de transporte. Os Bisontes constituem uma das principais capacidades de projeção da Força Aérea Portuguesa, permitindo transportar militares, passageiros, carga, equipamento e meios essenciais para onde sejam necessários. Em junho de 2026, por exemplo, os C-130H participaram na ponte aérea estabelecida para apoiar as comemorações do Dia de Portugal nos Açores, contribuindo para o transporte de mais de 1500 pessoas e 61 toneladas de carga.

O próprio emblema da Esquadra traduz a essência da sua missão: um C-130 em voo, uma palete de carga suspensa por paraquedas e, ao fundo, o azul representando o céu. É uma representação clara daquela que continua a ser a razão de existir dos Bisontes: transportar, projetar e apoiar, onde e quando Portugal necessitar.



Pelos serviços prestados ao País, a Esquadra 501 foi distinguida, em 29 de setembro de 1995, pelo Presidente da República Mário Soares, com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos. A distinção reconheceu uma história de dedicação e profissionalismo que já então tinha levado os C-130 portugueses a operar em alguns dos mais exigentes cenários internacionais.

Hoje, 49 anos depois daquele 15 de setembro de 1977, os “Bisontes” continuam a cumprir a sua missão a partir do Montijo. Quase meio século de operações, milhares de horas de voo, incontáveis missões e gerações de militares que fizeram do C-130H uma das plataformas mais importantes da história recente da Força Aérea Portuguesa.

49 anos depois, mantém-se o mesmo espírito e o mesmo lema: “Onde Necessário, Quando Necessário”.

Parabéns aos Bisontes


































sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Rinocerontes em destaque no Falcon Leap 2026

A Base Aérea de Eindhoven, nos Países Baixos, é entre 7 e 19 de setembro o centro de uma importante atividade internacional de treino de operações aerotransportadas. O exercício Falcon Leap 2026 reúne forças de 11 países aliados e tem como principal objetivo desenvolver a capacidade de realizar operações de transporte aéreo tático, incluindo o lançamento de cargas e o emprego de forças paraquedistas. Entre os participantes encontra-se a Força Aérea Portuguesa, representada pela Esquadra 506 Rinocerontes, que participa com um KC-390.

Para os Rinocerontes, o Falcon Leap constitui mais uma oportunidade para consolidar a experiência operacional adquirida com o novo transporte aéreo da Força Aérea Portuguesa, operando num ambiente multinacional e em estreita coordenação com unidades de diferentes países. Ao longo do exercício são treinados procedimentos de transporte e lançamento aéreo, permitindo às tripulações aperfeiçoar as suas capacidades e, simultaneamente, reforçar a interoperabilidade com as restantes forças participantes.

A edição de 2026 apresenta, contudo, uma particularidade que coloca o KC-390 português no centro das atenções. Pela primeira vez, militares neerlandeses ligados ao programa de transição para o C-390M participam no Falcon Leap juntamente com a Força Aérea Portuguesa. A escolha não é casual: os Países Baixos selecionaram o C-390M para substituir a sua atual frota de C-130 Hercules, estando prevista a receção das primeiras aeronaves neerlandesas no final de 2027.

O exercício proporciona assim uma oportunidade única para o futuro operador neerlandês conhecer diretamente as capacidades da aeronave e acompanhar a sua utilização em operações aerotransportadas. O grupo de transição neerlandês trabalha lado a lado com os “Rinocerontes”, partilhando conhecimentos, procedimentos e experiências que serão importantes na preparação da futura frota de C-390M da Koninklijke Luchtmacht.

Esta cooperação assume particular importância numa altura em que vários países europeus estão a modernizar as suas capacidades de transporte aéreo militar. A utilização de um sistema de armas comum permite não só uma maior facilidade de cooperação operacional, mas também a partilha de conhecimentos, formação e procedimentos entre forças aéreas aliadas.

No Falcon Leap 2026 participam aeronaves de vários tipos e procedências, incluindo C-130 Hercules, A400M, C-295M e C-27J, proporcionando às unidades envolvidas a possibilidade de trabalhar com diferentes plataformas e sistemas. O KC-390 português integra-se neste cenário como uma das aeronaves de nova geração destinadas a assegurar as futuras necessidades de transporte aéreo tático e estratégico das forças armadas europeias.

Durante o exercício são realizadas missões de transporte e lançamento de carga, assim como lançamentos de paraquedistas, numa combinação de treino que exige uma elevada coordenação entre as tripulações das aeronaves e as forças terrestres. As missões permitem igualmente praticar procedimentos de voo a baixa altitude e outras técnicas associadas às operações de transporte aéreo tático.

A atividade aérea decorre principalmente a partir de Eindhoven, sendo também utilizadas outras infraestruturas aeroportuárias e zonas de lançamento nos Países Baixos. O Falcon Leap mantém ainda uma forte ligação à história das operações aerotransportadas, uma vez que a atividade termina com a participação na cerimónia de homenagem à Operação Market Garden, realizada na região da Ginkelse Heide.

Para Portugal, a participação dos Rinocerontes representa mais um passo na afirmação internacional do KC-390. Depois da introdução da aeronave na Força Aérea Portuguesa, a participação em exercícios como o Falcon Leap permite acumular experiência em cenários multinacionais e demonstrar as capacidades do novo transporte aéreo português em algumas das missões mais exigentes para este tipo de aeronave.

Mas em Eindhoven existe também uma dimensão de futuro. Enquanto os Rinocerontes portugueses continuam a acumular experiência com o KC-390, os seus colegas neerlandeses estão a preparar a entrada em serviço do C-390, o avião que irá substituir os C-130 Hercules da Koninklijke Luchtmacht. A presença conjunta das duas forças aéreas no Falcon Leap 2026 representa, por isso, muito mais do que uma simples participação num exercício: constitui uma oportunidade privilegiada para a partilha de conhecimentos e para o início de uma nova etapa de cooperação entre dois futuros operadores europeus da família C-390.

Para a Esquadra 506, os Rinocerontes, o Falcon Leap 2026 constitui assim mais uma oportunidade para mostrar em ambiente operacional as capacidades do KC-390 português. Para os Países Baixos, é uma primeira aproximação prática ao avião que em breve substituirá os seus C-130 Hercules. E, para ambos, uma oportunidade de preparar o futuro do transporte aéreo militar europeu.

Fotos: Koninklijke Luchtmacht e FAP


















A Base Aérea de Eindhoven, nos Países Baixos, é entre 7 e 19 de setembro o centro de uma importante atividade internacional de treino de operações aerotransportadas. O exercício Falcon Leap 2026 reúne forças de 11 países aliados e tem como principal objetivo desenvolver a capacidade de realizar operações de transporte aéreo tático, incluindo o lançamento de cargas e o emprego de forças paraquedistas. Entre os participantes encontra-se a Força Aérea Portuguesa, representada pela Esquadra 506 Rinocerontes, que participa com um KC-390.

Para os Rinocerontes, o Falcon Leap constitui mais uma oportunidade para consolidar a experiência operacional adquirida com o novo transporte aéreo da Força Aérea Portuguesa, operando num ambiente multinacional e em estreita coordenação com unidades de diferentes países. Ao longo do exercício são treinados procedimentos de transporte e lançamento aéreo, permitindo às tripulações aperfeiçoar as suas capacidades e, simultaneamente, reforçar a interoperabilidade com as restantes forças participantes.

A edição de 2026 apresenta, contudo, uma particularidade que coloca o KC-390 português no centro das atenções. Pela primeira vez, militares neerlandeses ligados ao programa de transição para o C-390M participam no Falcon Leap juntamente com a Força Aérea Portuguesa. A escolha não é casual: os Países Baixos selecionaram o C-390M para substituir a sua atual frota de C-130 Hercules, estando prevista a receção das primeiras aeronaves neerlandesas no final de 2027.

O exercício proporciona assim uma oportunidade única para o futuro operador neerlandês conhecer diretamente as capacidades da aeronave e acompanhar a sua utilização em operações aerotransportadas. O grupo de transição neerlandês trabalha lado a lado com os “Rinocerontes”, partilhando conhecimentos, procedimentos e experiências que serão importantes na preparação da futura frota de C-390M da Koninklijke Luchtmacht.

Esta cooperação assume particular importância numa altura em que vários países europeus estão a modernizar as suas capacidades de transporte aéreo militar. A utilização de um sistema de armas comum permite não só uma maior facilidade de cooperação operacional, mas também a partilha de conhecimentos, formação e procedimentos entre forças aéreas aliadas.

No Falcon Leap 2026 participam aeronaves de vários tipos e procedências, incluindo C-130 Hercules, A400M, C-295M e C-27J, proporcionando às unidades envolvidas a possibilidade de trabalhar com diferentes plataformas e sistemas. O KC-390 português integra-se neste cenário como uma das aeronaves de nova geração destinadas a assegurar as futuras necessidades de transporte aéreo tático e estratégico das forças armadas europeias.

Durante o exercício são realizadas missões de transporte e lançamento de carga, assim como lançamentos de paraquedistas, numa combinação de treino que exige uma elevada coordenação entre as tripulações das aeronaves e as forças terrestres. As missões permitem igualmente praticar procedimentos de voo a baixa altitude e outras técnicas associadas às operações de transporte aéreo tático.

A atividade aérea decorre principalmente a partir de Eindhoven, sendo também utilizadas outras infraestruturas aeroportuárias e zonas de lançamento nos Países Baixos. O Falcon Leap mantém ainda uma forte ligação à história das operações aerotransportadas, uma vez que a atividade termina com a participação na cerimónia de homenagem à Operação Market Garden, realizada na região da Ginkelse Heide.

Para Portugal, a participação dos Rinocerontes representa mais um passo na afirmação internacional do KC-390. Depois da introdução da aeronave na Força Aérea Portuguesa, a participação em exercícios como o Falcon Leap permite acumular experiência em cenários multinacionais e demonstrar as capacidades do novo transporte aéreo português em algumas das missões mais exigentes para este tipo de aeronave.

Mas em Eindhoven existe também uma dimensão de futuro. Enquanto os Rinocerontes portugueses continuam a acumular experiência com o KC-390, os seus colegas neerlandeses estão a preparar a entrada em serviço do C-390, o avião que irá substituir os C-130 Hercules da Koninklijke Luchtmacht. A presença conjunta das duas forças aéreas no Falcon Leap 2026 representa, por isso, muito mais do que uma simples participação num exercício: constitui uma oportunidade privilegiada para a partilha de conhecimentos e para o início de uma nova etapa de cooperação entre dois futuros operadores europeus da família C-390.

Para a Esquadra 506, os Rinocerontes, o Falcon Leap 2026 constitui assim mais uma oportunidade para mostrar em ambiente operacional as capacidades do KC-390 português. Para os Países Baixos, é uma primeira aproximação prática ao avião que em breve substituirá os seus C-130 Hercules. E, para ambos, uma oportunidade de preparar o futuro do transporte aéreo militar europeu.

Fotos: Koninklijke Luchtmacht e FAP


















sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Panavia Tornado: 52 anos de uma referência da aviação militar europeia

 

O Panavia Tornado assinala, em 14 de agosto de 2026, o 52.º aniversário do seu primeiro voo. O protótipo voou pela primeira vez em 14 de agosto de 1974, em Manching, na Alemanha, dando início à carreira de uma das mais importantes aeronaves de combate desenvolvidas na Europa.

Construído por um consórcio formado pelo Reino Unido, pela Alemanha Ocidental e pela Itália, o Tornado nasceu do programa Multi Role Combat Aircraft (MRCA). O objetivo era criar uma aeronave supersónica, capaz de executar missões de ataque e interdição a baixa altitude, em quaisquer condições meteorológicas. A Arábia Saudita tornou-se posteriormente o único cliente estrangeiro do programa.

A sua característica mais reconhecível é a asa de geometria variável, que permitia combinar boas qualidades de voo a baixa velocidade com elevado desempenho supersónico. Equipado com dois motores Turbo-Union RB199, o Tornado transportava normalmente dois tripulantes e podia utilizar bombas convencionais e guiadas, mísseis, equipamentos de reconhecimento e sistemas de guerra eletrónica.

Foram produzidas três versões principais. O Tornado IDS Interdiction Strike destinava-se sobretudo ao ataque ao solo, à interdição, ao reconhecimento e à luta antinavio. O Tornado ECR Electronic Combat and Reconnaissance foi especializado em guerra eletrónica, reconhecimento e supressão das defesas aéreas inimigas. Já o Tornado ADV Air Defence Variant foi desenvolvido para a defesa aérea britânica e equipado com radar e mísseis ar-ar de longo alcance.

Momentos históricos

O Tornado entrou ao serviço no final da década de 1970 e teve o seu primeiro grande teste operacional durante a Guerra do Golfo de 1991, participando em missões de ataque e reconhecimento. Tornados britânicos e italianos foram posteriormente utilizados na Bósnia, no Kosovo e na Guerra do Iraque. A aeronave participou ainda em operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, além de numerosos exercícios e missões da NATO.

Ao longo da sua carreira, o Tornado foi operado por quatro países: Alemanha, Itália, Reino Unido e Arábia Saudita. A Royal Air Force retirou os seus últimos Tornado GR.4 em 2019. Atualmente, o tipo continua em serviço na Alemanha, Itália e Arábia Saudita, embora as respetivas frotas estejam a ser progressivamente reduzidas.

Esquadras atuais

Na Alemanha, os Tornado são operados pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 33, em Büchel, responsável principalmente por missões IDS, e pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 51 “Immelmann”, em Jagel, que opera versões ECR e de reconhecimento. Estas são as duas principais unidades alemãs equipadas com o modelo.

Na Itália, os Tornado estão concentrados no 6.º Stormo “Alfredo Fusco”, em Ghedi. Desde julho de 2025, a 154.ª Gruppo “Diavoli Rossi” passou dos Tornado IDS para os F-35A. Alguns aparelhos e elementos da unidade foram integrados ou transferidos para a 155.ª Gruppo ETS “Pantere Nere”, mas os restantes IDS foram progressivamente retirados ou colocados em reserva. Assim, a 155.ª Gruppo continua a ser a principal unidade italiana de Tornado, operando sobretudo a versão ECR em missões de guerra eletrónica e supressão das defesas aéreas.

A Arábia Saudita continua a operar Tornado IDS através da sua força aérea, embora a distribuição atual das aeronaves por esquadra não seja divulgada de forma consistente em fontes abertas. A Alemanha e a Itália estão a substituir progressivamente os seus Tornado por Eurofighter Typhoon e F-35 Lightning II.

Um legado dourado

Com quase mil aeronaves produzidas, o Panavia Tornado constituiu um dos maiores programas de cooperação militar europeia. A sua asa de geometria variável, a capacidade de voo supersónico a baixa altitude e a versatilidade operacional fizeram dele uma aeronave marcante da Guerra Fria e dos conflitos posteriores.

Mais de cinco décadas depois do primeiro voo, o Tornado continua a ser um dos aviões de combate europeus mais reconhecidos, tanto pela sua importância histórica como pelo contributo que deu ao desenvolvimento da indústria aeronáutica do continente. Fiquem bem, Jorge Ruivo

















































 

O Panavia Tornado assinala, em 14 de agosto de 2026, o 52.º aniversário do seu primeiro voo. O protótipo voou pela primeira vez em 14 de agosto de 1974, em Manching, na Alemanha, dando início à carreira de uma das mais importantes aeronaves de combate desenvolvidas na Europa.

Construído por um consórcio formado pelo Reino Unido, pela Alemanha Ocidental e pela Itália, o Tornado nasceu do programa Multi Role Combat Aircraft (MRCA). O objetivo era criar uma aeronave supersónica, capaz de executar missões de ataque e interdição a baixa altitude, em quaisquer condições meteorológicas. A Arábia Saudita tornou-se posteriormente o único cliente estrangeiro do programa.

A sua característica mais reconhecível é a asa de geometria variável, que permitia combinar boas qualidades de voo a baixa velocidade com elevado desempenho supersónico. Equipado com dois motores Turbo-Union RB199, o Tornado transportava normalmente dois tripulantes e podia utilizar bombas convencionais e guiadas, mísseis, equipamentos de reconhecimento e sistemas de guerra eletrónica.

Foram produzidas três versões principais. O Tornado IDS Interdiction Strike destinava-se sobretudo ao ataque ao solo, à interdição, ao reconhecimento e à luta antinavio. O Tornado ECR Electronic Combat and Reconnaissance foi especializado em guerra eletrónica, reconhecimento e supressão das defesas aéreas inimigas. Já o Tornado ADV Air Defence Variant foi desenvolvido para a defesa aérea britânica e equipado com radar e mísseis ar-ar de longo alcance.

Momentos históricos

O Tornado entrou ao serviço no final da década de 1970 e teve o seu primeiro grande teste operacional durante a Guerra do Golfo de 1991, participando em missões de ataque e reconhecimento. Tornados britânicos e italianos foram posteriormente utilizados na Bósnia, no Kosovo e na Guerra do Iraque. A aeronave participou ainda em operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, além de numerosos exercícios e missões da NATO.

Ao longo da sua carreira, o Tornado foi operado por quatro países: Alemanha, Itália, Reino Unido e Arábia Saudita. A Royal Air Force retirou os seus últimos Tornado GR.4 em 2019. Atualmente, o tipo continua em serviço na Alemanha, Itália e Arábia Saudita, embora as respetivas frotas estejam a ser progressivamente reduzidas.

Esquadras atuais

Na Alemanha, os Tornado são operados pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 33, em Büchel, responsável principalmente por missões IDS, e pelo Taktisches Luftwaffengeschwader 51 “Immelmann”, em Jagel, que opera versões ECR e de reconhecimento. Estas são as duas principais unidades alemãs equipadas com o modelo.

Na Itália, os Tornado estão concentrados no 6.º Stormo “Alfredo Fusco”, em Ghedi. Desde julho de 2025, a 154.ª Gruppo “Diavoli Rossi” passou dos Tornado IDS para os F-35A. Alguns aparelhos e elementos da unidade foram integrados ou transferidos para a 155.ª Gruppo ETS “Pantere Nere”, mas os restantes IDS foram progressivamente retirados ou colocados em reserva. Assim, a 155.ª Gruppo continua a ser a principal unidade italiana de Tornado, operando sobretudo a versão ECR em missões de guerra eletrónica e supressão das defesas aéreas.

A Arábia Saudita continua a operar Tornado IDS através da sua força aérea, embora a distribuição atual das aeronaves por esquadra não seja divulgada de forma consistente em fontes abertas. A Alemanha e a Itália estão a substituir progressivamente os seus Tornado por Eurofighter Typhoon e F-35 Lightning II.

Um legado dourado

Com quase mil aeronaves produzidas, o Panavia Tornado constituiu um dos maiores programas de cooperação militar europeia. A sua asa de geometria variável, a capacidade de voo supersónico a baixa altitude e a versatilidade operacional fizeram dele uma aeronave marcante da Guerra Fria e dos conflitos posteriores.

Mais de cinco décadas depois do primeiro voo, o Tornado continua a ser um dos aviões de combate europeus mais reconhecidos, tanto pela sua importância histórica como pelo contributo que deu ao desenvolvimento da indústria aeronáutica do continente. Fiquem bem, Jorge Ruivo