A Real Força Aérea Dinamarquesa (RDAF) retirou hoje, 18 de janeiro de 2026, o F‑16 Fighting Falcon, encerrando cerca de 46 anos de operação contínua deste caça multifunções ao serviço do país. A Dinamarca recebeu o primeiro F‑16 em 17 de janeiro de 1980, no âmbito do programa europeu conjunto com a Noruega, os Países Baixos e a Bélgica, lançando então as bases para a modernização profunda da sua aviação de combate. A cerimónia de despedida decorreu na Fighter Wing Skrydstrup, na Jutlândia, símbolo da “casa” do F‑16 dinamarquês e palco das últimas missões nacionais do tipo.
Ao longo da sua carreira, a Dinamarca adquiriu um total de
77 F‑16A/B, em vários lotes e encomendas de reposição, garantindo durante
décadas uma frota suficientemente robusta para cumprir simultaneamente tarefas
de defesa aérea, ataque e treino avançado. Nos últimos anos, a frota em linha
foi sendo reduzida, quer pelo desgaste natural, quer pela decisão política de
transferir parte dos aparelhos para aliados, nomeadamente a Ucrânia, para a
qual foram comprometidos 19 F‑16, bem como para a Argentina. Na fase final de
operação, permanecia um núcleo de aeronaves modernizadas, dedicado a manter a
prontidão de alerta rápido (QRA), o treino de pilotos e os compromissos com a
NATO até à transição plena para o F‑35A.
Do ponto de vista orgânico, quatro esquadras dinamarquesas
estiveram diretamente associadas à operação do F‑16: Eskadrille 723, Eskadrille
726, Eskadrille 727 e Eskadrille 730. A Eskadrille 723 e a Eskadrille 726,
inicialmente baseadas em Aalborg e herdeiras dos F‑104G Starfighter,
converteram para o F‑16 em 1983, enquanto a Eskadrille 727 foi a primeira
unidade a receber o novo caça, a partir de 1980, em Skrydstrup, seguindo‑se a
Eskadrille 730 como segunda esquadra de F‑16 naquela base. Com a concentração
progressiva da frota em Skrydstrup e as sucessivas reorganizações, a 727 e a
730 assumiram o papel de núcleo duro da componente de caça, assegurando a
defesa aérea e as missões expedicionárias até à chegada do F‑35A.
O F‑16 operou sobretudo a partir da Fighter Wing Skrydstrup,
onde estiveram baseadas as esquadras de caça que herdaram a missão de defesa
aérea e ataque da Flyvevåbnet, incluindo as antigas esquadrilhas que evoluíram
para a atual estrutura de caça da força aérea dinamarquesa. A partir desta
base, as esquadras de F‑16 assumiram, ao longo de décadas, o papel central na
proteção do espaço aéreo nacional e na projeção de força além‑fronteiras no
quadro da NATO. Skrydstrup é também o epicentro da transição para o F‑35A, já
ali sediado e presente na cerimónia de despedida, simbolizando a passagem de
testemunho entre gerações.
Em termos operacionais, os F‑16 dinamarqueses participaram
em múltiplas operações reais, ganhando um historial significativo em cenários
de combate. Destacaram‑se em missões no Afeganistão, Iraque, Líbia, Sérvia e
Síria, integrados em coligações internacionais, bem como em destacamentos para
o Baltic Air Policing na Estónia e na Lituânia, contribuindo para a defesa do
espaço aéreo aliado no flanco leste. A frota também desempenhou um papel
importante na vigilância e defesa do espaço aéreo sobre a Gronelândia e a
Islândia, reforçando a presença da NATO no Atlântico Norte e consolidando a
reputação da Dinamarca como operador experiente de caça tático.
O sucessor direto do F‑16 na Dinamarca é o F‑35A Lightning
II, cuja primeira aeronave chegou ao país em outubro de 2023, igualmente para
Skrydstrup. O plano inicial prevê a operação de 27 F‑35A, mas a Dinamarca
decidiu, em 2025, adquirir mais 16 aeronaves, aumentando a frota prevista em
cerca de 68% para responder a novas exigências operacionais e de dissuasão no
contexto euro‑atlântico. No dia 1 de abril de 2025, os F‑35 foram declarados
aptos a integrar a prontidão de defesa aérea, operando em paralelo com os F‑16
até à retirada destes e assumindo, a partir de agora, em exclusivo, a missão de
caça da Real Força Aérea Dinamarquesa.



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