A Esquadra 201 “Falcões” assinala hoje, 4 de outubro, 68 anos de uma história indissociavelmente ligada à aviação de caça portuguesa e à Base Aérea N.º 5, em Monte Real.
Apesar de atualmente ser conhecida como Esquadra 201, a história dos Falcões remonta a 4 de fevereiro de 1958, data em que foi criada a Esquadra 50 “Falcões”, tendo como primeiro comandante o Capitão Piloto-Aviador Gualdino Moura Pinto. Poucos meses depois, em setembro desse mesmo ano, a unidade passou a designar-se Esquadra 51, no âmbito da revisão do sistema de numeração das unidades da Força Aérea.
Foi com o F-86F Sabre que os Falcões iniciaram a sua história operacional. A 22 de setembro de 1958 realizou-se o primeiro voo de um piloto português neste caça, e apenas dois dias depois seria ultrapassada pela primeira vez a barreira do som em Portugal por um piloto português. Os F-86F tornar-se-iam, durante mais de duas décadas, a imagem de marca dos Falcões.
Em 1961, oito F-86F da Esquadra 51 foram destacados de Monte Real para a Guiné-Bissau, no âmbito da Operação Atlas, onde permaneceram envolvidos em missões operacionais até 1964. Mais tarde, entre 1966 e 1973, os Falcões operaram também o Fiat G.91, utilizado na preparação dos pilotos destinados às unidades operacionais nos teatros africanos. Em 1977 chegaram à Esquadra 51 os T-38 Talon, destinados ao treino avançado de combate.
A reorganização da Força Aérea em 1978 trouxe uma nova designação: a Esquadra 51 passou a ser a Esquadra 201, mantendo as tradições e a identidade dos Falcões. Contudo, em 1980, com o fim da operação dos F-86F, a unidade passou a designar-se Esquadra 302 e, a partir de 1981, assumiu a operação dos A-7P Corsair II. Embora a designação tivesse mudado, a herança dos Falcões permaneceu associada à unidade.
Seria em 4 de outubro de 1993 que a Força Aérea recuperaria novamente a designação Esquadra 201 “Falcões”, desta vez para operar o novo sistema de armas F-16. No ano seguinte chegaram à BA5 os primeiros F-16A/B OCU, iniciando-se uma nova era na história da unidade.
Desde então, os Falcões têm desempenhado um papel de relevo na Defesa Aérea de Portugal e nas missões internacionais da Força Aérea. Entre os momentos de maior destaque contam-se a participação na operação Allied Force, no Kosovo, em 1999, o exercício Red Flag, nos Estados Unidos, e os numerosos destacamentos de Policiamento Aéreo da NATO nos Estados Bálticos, Islândia, Roménia e Polónia.
A 26 de maio de 2011, a Esquadra 201 passou oficialmente a operar o F-16 no padrão MLU, mantendo-se desde então na vanguarda da capacidade de combate da Força Aérea Portuguesa.
Uma particularidade da comemoração do aniversário dos Falcões merece também ser recordada. Embora a Esquadra tenha sido criada em fevereiro de 1958, a partir de determinada altura foi instituída a tradição de celebrar o seu aniversário a 4 de outubro. A escolha desta data não é casual: coincide com o Dia da Unidade da Base Aérea N.º 5, cuja inauguração oficial ocorreu precisamente a 4 de outubro de 1959. Assim, a celebração dos Falcões ficou para sempre associada à sua casa, Monte Real, e à própria história da BA5.
Ao longo de 68 anos, mudaram as designações, as aeronaves e as gerações de homens e mulheres que serviram na unidade. Permaneceu, contudo, aquilo que verdadeiramente identifica os Falcões: o seu espírito, a sua tradição e o lema que os acompanha desde 1958 — “Guerra ou Paz Tanto Nos Faz”.
Hoje, ao celebrarem 68 anos, os Falcões continuam a escrever uma história que começou com o F-86F Sabre e que prossegue aos comandos do F-16M, mantendo viva uma das mais antigas e prestigiadas tradições da aviação de caça portuguesa.





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