Comemora-se hoje, 28 de fevereiro, o 73.º aniversário da Esquadra
103 “Caracóis”, uma unidade que permanece viva na memória da Forca Aérea
Portuguesa apesar de se encontrar atualmente desativada. Ao longo de mais de
sete décadas, a Esquadra 103 afirma-se como uma referência incontornável na
formação de pilotos militares em Portugal, deixando uma marca profunda em
gerações de aviadores que por ali passam.
Criada em 1953, a Esquadra 103 assume, desde cedo, a missão
essencial de instrução complementar e avançada de pilotagem, tornando-se um
pilar estruturante na construção da proficiência operacional da Força Aérea. É
no seio dos “Caracóis” que muitos jovens pilotos consolidam competências
técnicas, disciplina aérea e espírito de corpo, numa fase decisiva da sua
formação, antes de transitarem para esquadras operacionais.
Ao longo da sua história, a unidade opera diferentes
aeronaves de instrução que acompanham a evolução tecnológica e doutrinária da
aviação militar portuguesa. Entre as mais emblemáticas destaca-se o Dassault/Dornier
Alpha Jet, aeronave que marca profundamente a identidade recente da Esquadra
103. Com o Alpha Jet, os “Caracóis” asseguram a fase avançada da instrução,
preparando pilotos para aeronaves de elevado desempenho e exigência, num
contexto de crescente sofisticação dos sistemas de armas e das operações
aéreas.
Instalada na Base Aérea No 11 durante a sua fase mais
recente, a Esquadra 103 desempenha um papel central no treino avançado,
beneficiando das condições ímpares de espaço aéreo e meteorologia do sul do
país. O rigor da instrução, a exigência dos voos a baixa altitude, as missões
de navegação tática e os voos por instrumentos contribuem para forjar aviadores
preparados para os desafios operacionais contemporâneos.
A história da Esquadra 103 conhece um momento
particularmente simbólico a 31 de janeiro de 2018, data em que é voada a sua
última missão, integrada no exercício Real Thaw 2018. Esse voo encerra
operacionalmente um ciclo de décadas dedicadas à formação avançada, marcando o
fim de uma era para os “Caracóis” e para a instrução em jato na Força Aérea
Portuguesa. A desativação formal que se segue não apaga, contudo, o impacto
duradouro da unidade.
A designação “Caracóis” reflete uma tradição identitária
própria, reforçada por um forte espírito de camaradagem e por um sentido de
pertença que ultrapassa gerações. Mesmo após a sua desativação, a Esquadra 103
mantém-se como escola de excelência na memória coletiva da Força Aérea, símbolo
de uma cultura de exigência, profissionalismo e dedicação ao serviço de
Portugal.
Comemora-se hoje não apenas a data da sua criação, mas
também o legado humano e operacional que constrói ao longo de 73 anos. A
história da Esquadra 103 confunde-se com a história da formação avançada de
pilotos militares portugueses, sendo impossível dissociar o sucesso das
esquadras operacionais do trabalho rigoroso desenvolvido pelos “Caracóis”.
Hoje, ao assinalar-se este aniversário, honra-se o passado, celebra-se o
contributo de todos os que nela servem e reafirma-se a importância da formação
como alicerce da superioridade aérea.







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