A Força Aérea Portuguesa agraciou a Esquadra 751 Pumas com um Louvor concedido pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General João Cartaxo Alves, em reconhecimento pelo desempenho excecional da unidade no apoio ao Serviço de Helicópteros de Emergência Médica. A distinção enquadra-se no esforço operacional desenvolvido entre 1 de julho e 31 de outubro de 2025, período em que a esquadra foi empenhada de forma complementar no transporte aeromédico, reforçando a capacidade nacional de resposta em situações críticas.
A Esquadra 751, atualmente sediada na Base Aérea N.º 6, no Montijo, integra o dispositivo permanente de Busca e Salvamento (SAR) da Força Aérea, assegurando uma das maiores áreas de responsabilidade do Atlântico Norte sob coordenação portuguesa. Herdeira direta das capacidades anteriormente operadas com os SA-330 Puma — aeronaves que deram origem ao indicativo “Pumas” — a unidade consolidou, ao longo de décadas, uma cultura operacional marcada por elevada prontidão, proficiência técnica e capacidade de projeção em ambientes marítimos adversos. A transição para o helicóptero EH-101 Merlin representou um salto qualitativo significativo, ampliando alcance, autonomia, capacidade de carga e integração de sistemas avançados de navegação, comunicações e sensores.
Durante o período agora reconhecido com louvor, a esquadra foi chamada a apoiar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), assegurando missões de transporte inter-hospitalar urgente e evacuação aeromédica. Embora concebido primariamente para operações SAR e CSAR (Combat Search and Rescue), o EH-101 revelou elevada versatilidade na configuração para MEDEVAC, permitindo a instalação de macas, equipamentos de suporte avançado de vida e integração de equipas médicas especializadas. A operação exigiu planeamento rigoroso, gestão criteriosa de tripulações e manutenção intensiva, garantindo simultaneamente a continuidade do alerta SAR permanente nos Açores.
Do ponto de vista técnico, o EH-101 Merlin disponibiliza três motores turboeixo, redundância extensiva de sistemas críticos e sofisticados recursos de voo por instrumentos, incluindo piloto automático de quatro eixos, radar meteorológico e sistemas de visão noturna compatíveis com NVG, características determinantes para operações em condições meteorológicas frequentemente severas no Atlântico. A sua autonomia superior a cinco horas e o raio de ação alargado permitem cobrir vastas distâncias oceânicas, fator essencial numa região caracterizada por dispersão geográfica e elevada exigência logística.
Historicamente, a Esquadra 751 tem desempenhado um papel central em missões de salvamento marítimo, evacuações médicas, apoio a populações isoladas e cooperação internacional, acumulando milhares de horas de voo em cenários complexos. O louvor agora atribuído não representa apenas o reconhecimento de um esforço conjuntural, mas antes a confirmação de uma trajetória sustentada de excelência operacional, disciplina e espírito de missão. Num contexto em que as Forças Armadas são cada vez mais chamadas a desempenhar funções de apoio à sociedade civil, a atuação da Esquadra 751 reafirma a importância estratégica das capacidades aéreas de duplo uso e a relevância da prontidão permanente na salvaguarda de vidas humanas.
Fonte e Foto: FAP





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